A Polícia Civil investiga a denúncia de agressões contra uma criança autista de cinco anos dentro de uma creche particular no bairro Saúde, no Centro do Rio.
Segundo a família, o menino vem sendo vítima de episódios recorrentes de violência dentro da unidade. Nesta segunda-feira (22), a avó materna da criança, Sandra Regina, afirma que viveu uma cena que a deixou revoltada ao buscar o neto na escola.
“Levi estava no chão, sendo agredido por um colega, enquanto a monitora responsável observava a situação com um celular nas mãos, rindo. Ao ser confrontada pela mãe do Levi, a monitora demonstrou total descaso, justificando que ‘as crianças precisam aprender a se defender’ e mantendo uma postura de deboche mesmo após a interrupção da agressão”, relatou a avó.
A família conta que os problemas começaram ainda no início deste ano. Desde então, o comportamento da criança mudou e os responsáveis passaram a procurar explicações para marcas e ferimentos que apareciam com frequência.
Mesmo após reuniões com a direção da creche e pedidos de acompanhamento mais rigoroso, Sandra afirma que a situação continuou se repetindo.
“Levi tem retornado para casa com frequência apresentando marcas de agressões físicas: hematomas, ferimentos na boca, marcas de socos nas costas e mordidas. Ao questioná-lo, ele afirma que não reage por orientação da professora, a qual, segundo ele, permite que os outros alunos o agridam sem intervir”, afirmou.
A avó diz ainda que procurou a direção da escola diversas vezes em busca de providências.
“Em reuniões anteriores, a instituição negou qualquer falha, alegou monitoramento por câmeras e comprometeu-se a acompanhar a situação com maior rigor. Contudo, os episódios de violência continuaram”, acrescentou.
A reportagem teve acesso à ata de uma reunião realizada em março entre familiares e representantes da escola. No documento, a família relata preocupações sobre a forma como o menino era tratado por profissionais da Pré-Escola II. A direção informou que acompanhava o caso e orientou todos os citados.
Depois do episódio mais recente, a família registrou um boletim de ocorrência, procurou o Conselho Tutelar e decidiu retirar a criança da creche.
Procurada pela TMC, a Creche Escola Paraíso Infantil negou as acusações e afirmou que nunca recebeu reclamações semelhantes. A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que apura o caso. Já a Polícia Civil investiga as circunstâncias da denúncia.



