Quem é Akram Afif, a estrela do Catar na Copa 2026 que recusou a Europa

Após passagens pelo futebol espanhol e belga na juventude, o camisa 11 tomou uma decisão atípica: voltar para casa em busca de protagonismo

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Akram Afif, do Catar, reage durante a partida diante da Suíça, no Estádio da Baía de São Francisco, Santa Clara, Califórnia
(Foto: Carlos Barria/Reuters)

A história de Akram Afif foge do roteiro tradicional dos grandes craques do futebol moderno. Enquanto a imensa maioria dos astros mundiais busca o brilho e os salários das cinco grandes ligas europeias, Afif construiu o seu status de lenda viva ao escolher ser o rei em sua própria casa.

Hoje, ele não é apenas o rosto do futebol no Catar, mas um dos maiores talentos que o continente asiático já viu.

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Nascido em Doha, em novembro de 1996, o futebol sempre esteve no DNA de Afif. Ele possui raízes multiculturais: sua mãe é iemenita e seu pai, Hassan Afif, é tanzaniano e ex-jogador de futebol, tendo defendido a seleção da Somália antes de se estabelecer no Catar.

Produto da prestigiada Aspire Academy — o mega-centro de excelência esportiva de Doha —, Afif foi rapidamente identificado como uma joia rara. Seu talento técnico abriu as portas da Europa muito cedo. Por meio de intercâmbios, ele passou pelas categorias de base do Sevilla e do Villarreal na Espanha, e chegou a atuar profissionalmente pelo Eupen, na Bélgica. Em 2016, fez história ao se tornar o primeiro jogador nascido no Catar a assinar um contrato definitivo com um clube da La Liga (o Villarreal).

“Não posso sair do meu país para ficar no banco”

Apesar de ter pavimentado o caminho para o Velho Continente, Afif tomou uma decisão ousada e rara no mundo da bola: voltar para casa.

Emprestado e depois contratado em definitivo pelo Al Sadd (o clube mais tradicional do Catar), ele encontrou o ambiente perfeito para brilhar. Quando questionado sobre o porquê de ter abdicado de lutar por um espaço na Europa, o meia-atacante resumiu sua filosofia:

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“Todo jogador sonha em jogar na Europa. Eu quero jogar […]. Mas não se trata de mim. Eu não posso sair do meu país e ficar no banco de reservas”, explicou o atleta, em declaração reproduzida pela “Trivela”.

A decisão rendeu frutos excepcionais. No Al Sadd, ele virou um colecionador de títulos — erguendo múltiplas vezes a Liga do Catar e a Copa do Emir —, além de empilhar artilharias, recordes de assistências e prêmios de Melhor Jogador do campeonato. Ele encontrou a idolatria máxima, que dificilmente teria em um clube médio europeu.

O herói da seleção e rei da Ásia

Se no clube Afif é um ídolo, na seleção ele é o pilar da geração mais vitoriosa da história do país. Ele foi a peça central na conquista do incrível bicampeonato do Catar na Copa da Ásia:

  • 2019 (Emirados Árabes Unidos): O Catar conquistou o torneio pela primeira vez e Afif foi o “cérebro” do time, registrando impressionantes 10 assistências, o recorde absoluto na história da competição.
  • 2023 (Catar): Jogando diante de sua torcida, ele assumiu o protagonismo goleador. Afif terminou o torneio como artilheiro (8 gols) e fez algo raríssimo na final: marcou um hat-trick (três gols) de pênalti contra a Jordânia, garantindo o título por 3 a 1.

O reconhecimento individual veio à altura: ele foi eleito o melhor jogador da Ásia em 2019.

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