A Copa do Mundo de 2026 ganhou uma nova imagem marcante nas arquibancadas: milhares de torcedores da Noruega sentados lado a lado, simulando o movimento de remar um enorme navio viking enquanto cantam em uníssono. A chamada “remada viking” rapidamente se tornou uma das celebrações mais comentadas do torneio, viralizando nas redes sociais e sendo adotada até pelos jogadores da seleção após a classificação para a fase eliminatória.
A festa chamou a atenção de torcedores do mundo inteiro e despertou uma curiosidade: afinal, quem eram os vikings e qual a relação deles com a Noruega? Embora a comemoração seja recente, ela faz referência a um dos povos mais conhecidos da história europeia, cuja influência permanece viva na identidade cultural dos países escandinavos.
A comemoração da torcida da Noruega virou símbolo da Copa
A classificação da Noruega para o mata-mata da Copa do Mundo, após a vitória por 3 a 2 sobre Senegal, foi celebrada de maneira inusitada. No gramado, jogadores como Erling Haaland e Martin Ødegaard sentaram em fileiras para reproduzir os movimentos de remadores de um navio viking, acompanhados por um tambor e pelos milhares de torcedores presentes no estádio.
A celebração não ficou restrita ao estádio. Imagens de noruegueses realizando a “remada viking” em escadas rolantes, no metrô de Nova York, na Times Square e até em frente ao Palácio Real, em Oslo, circularam pelo mundo. Após a classificação histórica, centenas de torcedores chegaram a fazer a coreografia diante da residência do rei Harald V durante a madrugada, em uma das cenas mais emblemáticas da competição.
Apesar de muitos acreditarem que a tradição existe há séculos, a comemoração é relativamente nova. Ela foi criada por integrantes da torcida organizada oficial da seleção norueguesa nos últimos anos como uma forma de construir uma identidade própria para os jogos da equipe, inspirando-se na herança viking do país.
Quem eram os vikings?
Os vikings foram povos escandinavos que viveram entre os séculos VIII e XI, durante um período conhecido como Era Viking, aproximadamente entre os anos 793 e 1066.
Eles eram originários principalmente dos territórios que hoje correspondem à Noruega, Suécia e Dinamarca. Embora tenham ficado famosos como guerreiros e saqueadores, essa é apenas uma parte de sua história.
Na realidade, os vikings também eram agricultores, comerciantes, pescadores, exploradores e artesãos. Eles estabeleceram rotas comerciais que ligavam o norte da Europa ao Oriente Médio e chegaram a fundar importantes centros urbanos.
Sua habilidade na construção naval permitiu viagens impressionantes para a época. Em embarcações chamadas drakkars, conhecidas pelo formato alongado e pela proa ornamentada, navegaram por rios e mares, alcançando regiões como Inglaterra, Irlanda, França, Islândia, Groenlândia e até a América do Norte, cerca de cinco séculos antes da chegada de Cristóvão Colombo.
Os vikings eram apenas guerreiros?
Durante muito tempo, livros e filmes reforçaram a imagem dos vikings como homens violentos usando capacetes com chifres.
No entanto, historiadores afirmam que essa representação está longe da realidade. Não existem evidências arqueológicas de que guerreiros vikings utilizassem capacetes com chifres em batalhas. Essa imagem surgiu no século XIX, principalmente em montagens teatrais inspiradas na mitologia nórdica.
Na prática, eles eram uma sociedade bastante organizada, com leis próprias, assembleias comunitárias, intensa atividade comercial e grande conhecimento em navegação.
Além disso, as mulheres vikings possuíam direitos considerados avançados para a época, como administrar propriedades e solicitar divórcio em determinadas circunstâncias.
A importância dos navios vikings
A ligação entre a comemoração da torcida norueguesa e os vikings está justamente nos navios.
As embarcações eram o principal símbolo desse povo. Graças a elas, os escandinavos conseguiram explorar novos territórios, estabelecer rotas comerciais e realizar expedições militares por toda a Europa.
Os navios eram impulsionados tanto por velas quanto por remos. Durante determinadas manobras, especialmente em rios ou aproximações da costa, o trabalho sincronizado dos remadores era essencial.
É justamente essa imagem que a torcida da Noruega procura reproduzir: centenas de pessoas remando juntas, simbolizando união, força coletiva e espírito de equipe.
Qual a relação dos vikings com a Noruega atual?
Embora tenham existido há cerca de mil anos, os vikings continuam sendo parte importante da identidade cultural da Noruega.
Museus, sítios arqueológicos, festivais históricos e reconstruções de embarcações mantêm viva essa herança. O país preserva diversos vestígios do período viking, considerados fundamentais para compreender a formação da sociedade escandinava.
No esporte, especialmente no futebol, essa conexão passou a ser utilizada como elemento de identidade nacional. A “remada viking” representa menos uma recriação histórica fiel e mais um símbolo de orgulho pela tradição marítima e pelo espírito explorador associado aos antigos povos nórdicos.
A celebração já é uma das marcas da Copa
A combinação entre o bom desempenho da seleção norueguesa e a criatividade de seus torcedores transformou a “remada viking” em uma das imagens mais compartilhadas da Copa do Mundo de 2026.
Após cada vitória, jogadores e torcida repetem o ritual em perfeita sincronia, reforçando a conexão entre equipe e arquibancada. O gesto também despertou interesse internacional pela história dos vikings, mostrando como tradições inspiradas no passado podem ganhar novos significados no esporte moderno.




