Operação da PF mira filho de Jorge Lemann e bloqueia R$ 54 bilhões em caso Americanas

Segundo apuração da TMC, dois dos mandados são em endereços ligados a ex-diretores das Americanas e um deles é o empresário Beto Sicupira

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Operação da PF
(Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Na manhã de quinta-feira (25/6/2026), às 7h25, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deram início à segunda fase da Operação Disclosure. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os principais alvos são os empresários Carlos Alberto Veiga Sicupira, mais conhecido como Beto Sicupira, e Paulo Alberto Lemann.

O foco da ação são supostas fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o bloqueio preventivo de bens e ativos até esse mesmo valor.

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Segundo fontes ouvidas pela reportagem da TMC, dois dos mandados de busca e apreensão são em endereços ligados a ex-diretores das Americanas. Um deles é o de Paulo Alberto Lemann, um dos filhos de Jorge Paulo Lemann, um dos homens mais ricos do Brasil.

Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, ao lado de Marcel Telles, são os acionistas de referência da Americanas. Paulo Alberto Lemman deixou o conselho de administração da varejista em 2024 em meio a uma reestruturação após a recuperação judicial da companhia.

Procuradas, assessorias de Paulo Alberto e Beto Sicupira não responderam de imediato a pedido de comentário. Em nota, a Americanas disse não ter sido alvo da operação desta quinta e afirmou ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos.

“Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, disse uma nota.

Também em nota, a PF deu detalhes sobre a operação. “Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, disse a PF no comunicado.

“As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa”, acrescentou.

As apurações apontam, em tese, dois tipos de irregularidade. O primeiro envolve operações de risco sacado, modalidade de antecipação de recebíveis usada por empresas para obter crédito. O segundo diz respeito a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), que são acordos comerciais entre fabricantes e varejistas para dividir custos de publicidade.

Segundo as investigações, esses contratos de VPC teriam sido registrados nas contabilidades sem lastro econômico real, ou seja, sem que houvesse uma operação concreta por trás dos números lançados.

Crimes investigados

As investigações apontam indícios de manipulação de mercado e associação criminosa. Os suspeitos, conforme apurado até agora, teriam tido conhecimento das supostas irregularidades ao longo de anos.

A identidade dos investigados e os nomes das empresas envolvidas não foram divulgados pela Polícia Federal. A operação segue em andamento.

Com informações da Reuters

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