Nego Di simulou contato com ganhadora de Porsche em rifa ilegal

Sentença aponta rifas sem autorização, sorteio simulado de Porsche avaliado em R$ 500 mil e doação falsa durante enchente no RS

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Foto: Reprodução/X/Nego Di
Foto: Reprodução/X/Nego Di

Nego Di, humorista e influenciador digital, foi condenado pela Justiça a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado. A sentença aponta rifas ilegais, simulação de sorteio e fraude em doação durante a enchente no Rio Grande do Sul. A esposa dele, Gabriela, também foi condenada, a 8 anos e 4 meses, por lavagem de dinheiro.

O processo identificou ao menos 9.683 pessoas lesadas. O prejuízo total chegou a R$ 185,3 mil, segundo a sentença judicial. A atividade ilegal movimentou mais de R$ 2,5 milhões, conforme apontou o juiz Ricardo Petry Andrade.

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Sorteio encenado e ganhadora inventada

Um dos episódios centrais do caso envolve um Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil. Nego Di promoveu uma rifa do veículo sem qualquer autorização legal e depois encenou o resultado.

Segundo o promotor Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, o humorista tinha controle total sobre os números vendidos. “Ele tinha pleno controle das rifas que fazia e essas rifas não tinham data específica para o sorteio. Então, ele poderia perfeitamente ver um determinado sorteio cujo número não foi contemplado por ninguém, poderia adquirir os números ele mesmo até ele mesmo adquirir o número vencedor”, afirmou Duarte.

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Para dar aparência de legitimidade ao resultado, Nego Di usou o telefone de um funcionário. “Ele simulou uma ligação para uma determinada pessoa que ele mesmo criou como se ela fosse a vencedora”, disse o promotor. Nos vídeos publicados nas redes sociais, a suposta ganhadora foi identificada como Silmara Noeli, nome fictício criado pelo próprio humorista, conforme a sentença.

Doação adulterada durante enchente

Outro ponto da condenação envolve uma doação feita enquanto o RS enfrentava as enchentes. Nego Di transferiu R$ 100, mas divulgou nas redes sociais um vídeo apresentando o valor como R$ 1 milhão.

Em um dos vídeos, ele declarou: “A gente fez essa escolha de coração. Decidi doar um milhão de reais pro Rio Grande do Sul. Eu mandei R$ 1 milhão para a vaquinha do meu parceiro Badin”.

O juiz Ricardo Petry Andrade concluiu que o comprovante exibido foi adulterado de forma consciente antes de ir ao ar. Segundo o promotor Flávio Duarte, “ele fez uma doação de R$ 100 e expôs nas mídias sociais essa doação como se tivesse sido feita no valor de R$ 1 milhão, obtendo com isso um engajamento, um número maior de seguidores, que refletiu depois em ganhos patrimoniais. Ele usou a enchente para benefício próprio, recebendo um retorno financeiro a partir da utilização de um documento que depois se comprovou falso”.

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Papel da esposa no esquema

Gabriela foi condenada por ceder contas bancárias para circular os recursos obtidos de forma ilícita. O juiz Andrade descreveu a participação dela como essencial para o funcionamento do esquema. A movimentação ligada à atuação de Gabriela chegou a R$ 2,4 milhões, segundo o magistrado.

A defesa de Nego Di, representada pela advogada Camila Kersch, não teve êxito na tese de desconhecimento da ilegalidade. O juiz afastou o argumento, reconhecendo que o humorista sabia da natureza ilícita das ações.

Além da pena principal, Nego Di recebeu uma condenação adicional de 1 ano e 15 dias por promover loteria sem autorização. A sentença classifica toda a operação como estruturada e reiterada.

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