IPCA-15 tem maior taxa em 12 meses desde outubro

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,41% em junho, depois de subir 0,62% em maio

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(Foto: Hollie Adams/Arquivo/Reuters)

Os preços dos alimentos e da energia elétrica pesaram no IPCA-15 em junho e a taxa em 12 meses avançou para o nível mais alto em oito meses, mesmo com uma desaceleração na taxa mensal de inflação, que ficou um pouco abaixo do esperado por economistas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,41% em junho, depois de subir 0,62% em maio.

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Nos 12 meses até junho, o IPCA-15 passou a acumular avanço de 4,80%, contra 4,64% no mês anterior, mostraram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Esse é o resultado mais alto desde outubro (4,94%), e leva o índice ainda mais além do teto da meta contínua para a inflação, de 3% medido pelo IPCA com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Os resultados ficaram ligeiramente abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,44% na base mensal e de 4,82% em 12 meses.

Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto. Na ata desse encontro, o BC indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da taxa Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.

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“O dado de hoje é compatível com um cenário de desinflação gradual”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores). “Se a melhora observada nos núcleos (de inflação) se confirmar nos próximos meses, cresce a possibilidade de cortes adicionais na Selic, mas a trajetória continuará dependente da evolução das expectativas de inflação e do cenário internacional.”

O conflito no Oriente Médio vem elevando os preços de combustíveis, embora Estados Unidos e Irã tenham chegado a um acordo preliminar. Mas para além dos choques dos preços do petróleo causados pela guerra, questões climáticas ainda estão no radar para a inflação, como o El Niño.

Em junho, o maior impacto sobre o índice geral veio da energia elétrica residencial, que subiu 2,04%. No mês de junho, as contas de luz seguiram com bandeira amarela, o mesmo que em maio, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Ainda assim, o avanço dos preços do grupo Habitação desacelerou a 0,72% em junho, de 1,03% em maio.

Já os custos de Alimentação e Bebidas tiveram alta de 0,74% no mês, após subirem 1,38% em maio. A inflação da alimentação no domicílio saiu de 1,73% em maio para 0,87% em junho, com altas da batata-inglesa (29,42%) e do tomate (17,27%), mas quedas em café moído (-3,69%) e frutas (-0,96%).

Juntos, os grupos Habitação e Alimentação responderam por cerca de 66% do resultado do IPCA-15 do mês, segundo o IBGE.

Transportes tiveram variação negativa de 0,03% em junho, com aumento na passagem aérea (7,24%) e recuo dos combustíveis (-1,22%).

“Ainda que a margem mensal traga sinais positivos, a tendência subjacente sugere que o processo de desinflação segue lento e desafiador”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “Somada à inflação acumulada em 12 meses em 4,80% — acima do teto da meta —, a leitura qualitativa reforça a necessidade de cautela por parte da autoridade monetária.”

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção do mercado para o IPCA este ano é de alta de 5,33%, e de 4,15% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 14,0%.

O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.

Por Reuters

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