Como mãe e bebê de 18 dias sobreviveram 30 horas sob escombros na Venezuela

Dayana Patino e o filho Juan David foram retirados dos escombros na quinta-feira; país contabiliza ao menos 1.450 mortos após dois terremotos

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Rescue workers carry a person who was trapped under the rubble of a building after earthquakes hit Venezuela, in this still picture taken from a social media video released on June 28, 2026. VA-TF1 / USA-01 - URBAN SEARCH AND RESCUE/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. MANDATORY CREDIT. NO RESALES. NO ARCHIVES.

Com 18 dias de vida, o bebê Juan David sobreviveu soterrado por mais de 30 horas sob os escombros de um prédio em La Guaira, na Venezuela. Ao seu lado, a mãe, Dayana Patino, manteve a calma e protegeu o filho enquanto aguardava o resgate. Os dois foram retirados dos destroços na noite de quinta-feira, segundo relato da própria Dayana à BBC.

Os dois terremotos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira derrubaram o prédio onde Dayana morava. Ela estava no oitavo andar lavando louça quando os tremores começaram. Em depoimento à BBC, ela descreveu o momento do colapso: “Senti como se estivesse voando. Depois disso, senti como se estivesse afundando na água e na terra, e então caí no buraco onde permaneci.”

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Calma como estratégia de sobrevivência

Com a perna esquerda presa sob uma laje de concreto, Dayana decidiu poupar energia. “Não iria desperdiçar minhas forças. Eu gritaria quando fosse necessário, quando ouvisse vozes ou passos por perto”, contou. Ela explicou a situação em que se encontrava: “Não sei como consegui manter tanta calma, porque minha perna esquerda estava presa sob o concreto. Eu não conseguia me mover. Minha têmpora estava pressionada contra uma pedra”, disse à BBC. Ela também encontrou uma Bíblia sob seu próprio corpo durante o confinamento. “Foi ali que começou minha jornada de sobrevivência”, afirmou.

O filho era sua principal motivação. “Enquanto ele estivesse vivo, eu estaria viva. De vez em quando eu tocava o nariz dele para ter certeza de que ele ainda estava respirando”, disse Dayana à BBC.

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Quando ouviu passos próximos, ela agiu. “Disse a mim mesma: esta é minha única chance. Gritei com toda a força dos meus pulmões.” Era o irmão de Dayana, que a localizou pelos gritos e permaneceu no local até a chegada das equipes de resgate. “Eu encontrei você e prometo que não vou sair daqui até tirar você daí”, disse ele a ela.

O marido que acreditou ter perdido a família

Gerson, marido de Dayana, chegou em casa após os tremores e escapou pulando uma cerca. Ao ver o prédio destruído, concluiu que a esposa e o filho haviam morrido. O resgate, para ele, foi inesperado. “Foi indescritível. Achei que eles estavam mortos”, afirmou Gerson, que descreveu o momento como um milagre.

Após ser retirada dos escombros, Dayana foi atendida com ferimentos nas duas pernas. Juan David teve apenas lesões leves.

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Desastre de proporções históricas

Os dois terremotos deixaram ao menos 1.450 mortos em todo o país, conforme dados publicados pelo O Globo. Dezenas de milhares de pessoas continuam desaparecidas. O presidente interino da Venezuela classificou o evento como “a catástrofe natural mais brutal” da história do país.

Os tremores foram sentidos além das fronteiras venezuelanas, chegando à Colômbia e ao Brasil. Após os abalos principais, a Venezuela registrou 10 réplicas. Equipes de busca seguem trabalhando nos escombros.

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