Venezuela tem hospitais lotados no terceiro dia de buscas após terremotos

Dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 sobrecarregaram unidades de saúde em Caracas; pediatria relata falta de insumos básicos

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Venezuela no 3º dia de buscas com hospitais lotados após terremotos
Members of the Mexican rescue team known as the "Topos Tlatelolco Rescue Brigade" wait as they prepare to depart for Venezuela, following two earthquakes, at Benito Juarez international airport in Mexico City, Mexico June 26, 2026. REUTERS/Henry Romero

Caracas entra no terceiro dia de buscas por desaparecidos com hospitais sobrecarregados e críticas crescentes à ausência do governo nas operações de resgate. A crise foi desencadeada por dois terremotos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira, com intervalo de apenas 39 segundos entre os abalos.

O primeiro sismo teve magnitude 7,2 e teve origem em San Felipe, a oeste da capital. Trinta e nove segundos depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, atingiu a região. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o segundo tremor ocorreu a profundidade relativamente rasa e a cerca de 5 km de uma falha geológica. A intensidade foi suficiente para ser percebida até o norte do Brasil.

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A sequência dos dois abalos agravou os danos. O primeiro enfraqueceu estruturas e comprometeu fundações de edifícios. O segundo provocou desabamentos imediatos em Caracas, gerando um fluxo intenso de feridos para as unidades de saúde da cidade.

Hospitais sob pressão

O Hospital Dr. Miguel Pérez Carreño, o Hospital Periférico de Catia, o Hospital José María Vargas e o Hospital Domingo Luciani receberam centenas de feridos transferidos das áreas mais afetadas. Os setores de trauma e cirurgia foram os mais pressionados.

O médico residente Rodolfo Salcedo, do Pérez Carreño, descreveu o atendimento como feito “com o muito ou o pouco” disponível. A falta de insumos é uma realidade em várias unidades.

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No Hospital Infantil Dr. J.M. de los Ríos, trabalhadores relataram danos estruturais que forçaram a unidade a operar de forma parcial. Pacientes internados foram transferidos para outras unidades. A médica chefe da emergência matutina, Lujuanis Ortega, apontou carência de oxímetros, termômetros digitais infantis, analgésicos, anti-inflamatórios, anti-hipertensivos, gazes, luvas, máscaras e seringas. Segundo ela, “isso, sim, está acabando bastante e rápido”. No Hospital José María Vargas, um trabalhador que falou sob anonimato destacou a necessidade de “fraldas, leite em pó e roupinhas de bebê, porque temos muitas crianças em situação crítica”.

Voluntários onde o governo não aparece

Na ausência de resposta oficial, a população organizou redes de doação. A voluntária Natasha Velásquez, que levou doações ao Pérez Carreño, descreveu o movimento: “A comunidade venezuelana, melhor impossível. Gente de todo lado trouxe doações: comida, roupa, líquidos, água… e até muita comida pronta para o pessoal que está trabalhando”. Ela explicou a motivação: “Nos juntamos a isso porque vemos muito nas redes sociais; nós estamos bem e podemos colaborar, então saímos para fazer”.

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Mas a solidariedade não supre a falta de estrutura nas buscas. Jhon González, acompanhante de uma prima sobrevivente, expressou revolta com a ausência do Estado: “Como é possível que tudo caia e não tenha ninguém? Não tem nada do governo, nem um militar. (…) Não tem máquinas, nada; que mandem os militares para lá, nem que seja para tirar ferro. Os policiais só ficam olhando”.

O jornal El Nacional relatou a superlotação nas unidades hospitalares da capital. A Defesa Civil ainda coordena as operações de busca, mas o número exato de feridos e desaparecidos não foi divulgado oficialmente até o momento. Nas redes sociais, repercutiu também a declaração de Andressa Urach sobre seu ex-marido: “Me apaixonei porque ele me comia muito gostoso”.

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