Na coluna de hoje, eu falo sobre os aumentos de preço anunciados recentemente pela Apple. A gigante da tecnologia sempre foi uma das empresas que mais segurou reajustes. Vale lembrar que, no início do governo Trump, ela sofreu pressão para não repassar esse tipo de aumento aos consumidores.
Agora, porém, a expectativa é de que, com a chegada do iPhone 18, em setembro, os preços possam subir até US$ 200. É claro que esse cenário tende a ser ainda mais dramático no Brasil, por causa do efeito cascata envolvendo dólar, impostos de importação e outros custos.
A pergunta é: por que isso está acontecendo agora? Isso tem tudo a ver com a inteligência artificial. Os chips estão ficando cada vez mais escassos, especialmente as memórias.
Durante a pandemia, empresas como Samsung e Apple conseguiram prioridade no fornecimento de chips, à frente, por exemplo, das montadoras, que chegaram a paralisar linhas de produção por falta desses componentes. A Apple já tinha sua demanda garantida e praticamente não sofreu nem com aumento de preços nem com falta de produtos.
Agora, estamos vendo um cenário bastante diferente. A Apple anuncia um dos maiores aumentos de preços de toda a sua história. E a pergunta que fica é: como será essa dinâmica de mercado? Será que veremos uma redução da participação da Apple? Será que empresas como a Samsung e outras fabricantes vão se beneficiar?
Infelizmente, acredito que acontecerá o contrário. As demais fabricantes também tendem a usar esse movimento da Apple para justificar aumentos de preços, alegando que se trata de uma tendência de mercado. Com isso, esses produtos ficarão ainda mais exclusivos, voltados a um público de alta renda, que possui menor sensibilidade ao preço.
Mas esse é um público bastante restrito. Poucas pessoas podem simplesmente trocar de aparelho toda vez que um novo modelo é lançado. O efeito prático é que os consumidores tendem a permanecer mais tempo com seus smartphones e adiar a troca.
Leia mais: A Copa do Mundo mais tecnológica da história
Para incentivar essa renovação, a Apple costuma deixar de oferecer atualizações do sistema operacional para modelos mais antigos. Chega um momento em que o consumidor tem poucas alternativas: migrar para um modelo mais novo da própria Apple ou optar por um aparelho Android, que ofereça um custo mais acessível.
O mercado de tecnologia está sinalizando claramente que a inteligência artificial é a prioridade absoluta. Ela está consumindo uma parcela crescente da oferta de chips e memórias. Agora, precisamos observar como esse cenário vai evoluir. A tendência é que, quando a Apple realizar seus grandes lançamentos em setembro, possamos ter inclusive o primeiro telefone dobrável da história da empresa.