Anvisa aprova uso de caneta para diabetes em jovens, mas especialistas fazem alerta sobre uso para emagrecimento

Medicamento com tirzepatida é indicado para diabetes tipo 2, mas não tem autorização para obesidade em crianças

Por Julia Luongo | Atualizado em
Caneta emagrecedora
(Foto: Canva)

A recente aprovação da Anvisa para o uso da tirzepatida em crianças e adolescentes reacendeu o debate sobre o uso de “canetas emagrecedoras” entre jovens. Apesar da popularização do medicamento, especialistas alertam que a indicação é restrita e não deve ser associada ao uso estético.

Uso restrito ao diabetes tipo 2

Segundo o pediatra e neonatologista Dr. Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, a tirzepatida, conhecida como Mounjaro, é indicada exclusivamente para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças.

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“O medicamento está indicado para controle do diabetes tipo 2 em crianças, mas não está autorizado para tratamento da obesidade nessa faixa etária”, explica.

Ele reforça que, no momento, não há liberação para uso com foco em emagrecimento em pacientes mais jovens.

Quando o medicamento é indicado

O especialista destaca que a prescrição deve seguir critérios clínicos bem definidos.

“Dificuldade de manter o controle glicêmico, níveis elevados de glicemia e a necessidade de evitar o uso de insulina são alguns dos fatores que podem indicar o uso da medicação”, afirma.

Ou seja, o remédio entra como alternativa em casos em que o controle da doença não é alcançado apenas com outras abordagens.

Uso estético não é recomendado

O uso com finalidade estética, principalmente entre adolescentes, é um dos principais pontos de preocupação.

“Não é permitido o uso para tratamento de obesidade em crianças maiores de 10 anos sem diabetes”, ressalta o médico.

Ele explica que, em adolescentes mais velhos, a medicação pode até aparecer como coadjuvante no tratamento da obesidade, mas sempre dentro de um contexto clínico e nunca como solução isolada.

Tratamento exige mudança de hábitos

O médico também faz um alerta importante: o uso da caneta não substitui hábitos saudáveis.

“O tratamento, tanto da obesidade quanto do diabetes, exige controle glicêmico, alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos. A medicação é coadjuvante, ajuda no processo, mas não resolve sozinha”, explica.

Uso deve ser feito com cautela

Com a popularização dessas medicações, especialistas reforçam que o uso em crianças e adolescentes deve ocorrer apenas com acompanhamento médico e dentro das indicações aprovadas. Fora desse contexto, os riscos podem superar os benefícios.

Leia mais: Uso de remédios para emagrecer já muda hábitos e faz restaurantes reverem cardápios

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