O cenário político em Minas Gerais vive dias de intensa articulação e forte pressão de bastidores. No centro dos holofotes está Marília Campos (PT), que vem sendo solicitada pelo Partido dos Trabalhadores e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a disputar o Governo do Estado. No entanto, a líder política mantém sua posição firme: o foco absoluto é a disputa por uma cadeira no Senado Federal.
A ex-prefeita de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, participou nesta terça-feira (30) do 360 na TMC e reiterou que sua candidatura será para uma vaga na Casa Legislativa.
Para viabilizar sua pré-candidatura ao Legislativo, Marília tomou a decisão drástica de renunciar ao mandato de prefeita — cargo que ocupou por quatro mandatos na sua cidade natal —, respaldada por sua alta aprovação e viabilidade eleitoral. Segundo ela, o plano original do partido sempre foi construir uma alternativa que fugisse dos extremos.
“O partido sempre teve uma estratégia de trabalhar a despolarização, de priorizar as candidaturas para o Senado e quando meu nome começou a despontar com credibilidade e também viabilidade, me coloquei a disposição do partido para ser pré-candidata ao Senado por Minas Gerais. Diria que foi por essa razão que discuti na minha cidade, onde fui prefeita por quatro mandatos, que renunciei ao mandato de prefeita para ser pré-candidata. Não apenas pela credibilidade que alcancei, mas também pela viabilidade eleitoral. Minha pré-candidatura tem uma estratégia da despolarização e por isso que ela dá uma largada com muita força nesse quadro conjuntural.”
Alinhamento com Lula e o “fantasma” do governo Pimentel
Diante das especulações de que estaria batendo de frente com a principal liderança nacional do partido, Marília Campos faz questão de rechaçar qualquer ruído de comunicação com o Palácio do Planalto. A petista argumenta que, na verdade, está apenas defendendo a tática eleitoral que havia sido desenhada anteriormente pelo próprio presidente e pela legenda.
A estratégia inicial passava por um nome de Centro para a disputa ao governo estadual — como o do senador Rodrigo Pacheco —, que acabou declinando do convite. Para Marília, insistir em uma cabeça de chapa do PT ao governo mineiro neste momento é um erro tático que pode reviver o antipetismo no estado, trazendo de volta o desgaste da gestão do ex-governador Fernando Pimentel.
“Eu não estou dizendo não ao presidente Lula. Estou reafirmando é a estratégia definida anteriormente não só por ele como pelo Partido dos Trabalhadores. No início era uma estratégia de colocar uma candidatura de Centro para que não tivesse a polarização, colocando em extremos, então Rodrigo Pacheco tinha esse perfil e ele declinou desse convite e dessa missão. Meu nome já estava colocado como pré-candidata ao Senado e não vejo sentido modificar essa estratégia sacrificando a viabilidade de uma candidatura ao Senado para ocupar essa posição de ser pré-candidata ao Governo. Aqui em Minas tem a particularidade que além de que uma candidatura ou pré-candidatura dentro de uma estratégia de chapa do PT, além de reacender uma polarização acende o desgaste do governo anterior, que foi governado pelo PT através do Fernando Pimentel. Acho que seria um sacrifício muito grande de uma pré-candidata, que tem credibilidade sim para disputar o Governo, mas que não tem viabilidade para o Governo, minha viabilidade é para o Senado”.
Defesa de uma Frente Ampla em Minas Gerais
Como alternativa para romper o isolamento político e construir uma chapa verdadeiramente competitiva no segundo maior colégio eleitoral do país, Marília defende que o PT abra mão do protagonismo na disputa majoritária pelo Palácio da Liberdade.
A pré-candidata ao Senado propõe uma frente ampla e aponta caminhos viáveis fora do PT, citando os nomes de Gabriel (MDB) ou de Jarbas Soares (PSB) como alternativas centristas para liderar a coalizão. Ela alerta que a insistência em “marcar posição” com candidaturas puras tem enfraquecido o partido regionalmente.
“Continuo articulando uma estratégia de frente ampla, com a pré-candidatura ou do MDB, com o Gabriel, ou do Jarba Soares, do PSB. Acho que deveríamos fazer um grande acordo com esses partidos para termos uma chapa que não tivesse apenas o carimbo do PT. Não acho que o PT esteja morto, mas diria que ele tem um enfraquecimento conjuntural e fruto também das estratégias adotadas pelo partido, seja em âmbito municipal ou estadual, onde participou de processos eleitorais apenas para marcar posição dentro de uma estratégia de candidatura própria”.
A posição de Marília Campos joga as cartas na mesa e tensiona o debate interno no PT mineiro. Resta saber se o partido ouvirá o pragmatismo de sua principal liderança no estado ou se manterá a pressão para que ela mude de rota na disputa de outubro.




