A Secretaria do Tesouro dos EUA aplicou sanções contra o PCC e pessoas ligadas à organização, acusada de usar o sistema financeiro americano para lavar dinheiro e distribuir drogas. Segundo o Tesouro, “O PCC é agora a maior organização criminosa transnacional (TCO, na sigla em inglês) do Hemisfério Ocidental”.
No centro das sanções está Victor Henrique de Oliveira Shimada, identificado pelo Tesouro americano como figura-chave na conexão entre o PCC e narcotraficantes internacionais. Conforme o comunicado oficial, Shimada e sua organização foram responsáveis pela lavagem de US$ 30 milhões provenientes de atividades ilícitas em diversas cidades americanas. O retorno desses recursos ao Brasil foi viabilizado por meio de criptomoedas, ativos digitais que tornam o rastreamento das transações mais difícil.
Rede entre Flórida e São Paulo
De acordo com o comunicado, a operação se estruturava em torno de dois polos geográficos: São Paulo e Flórida. Uma empresa vinculada a Shimada também serviu como instrumento para a lavagem de recursos desviados de um clube de futebol brasileiro, por meio de um esquema envolvendo fraude publicitária. O nome da instituição esportiva não foi revelado.
Stella Stefanie de Oliveira, descrita no comunicado como familiar e parceira de Shimada, teria desempenhado papel de apoio nas operações, incluindo a intermediação de grandes movimentações financeiras em espécie e suporte logístico à rede.
A operação contou com a participação do FBI, por meio de seu escritório em Miami, e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), sendo conduzida sob a estrutura da Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF). Já o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) é o órgão do Tesouro encarregado de implementar as sanções.
PCC e CV como organizações terroristas
As sanções têm como pano de fundo uma decisão anterior do Departamento de Estado dos EUA: em 29 de maio, o órgão enquadrou o PCC e o Comando Vermelho (CV) na categoria de organizações terroristas, designação que entrou em vigor em 5 de junho.
Essa mudança de status tem consequências práticas para qualquer pessoa ou empresa que mantenha relações financeiras com as duas facções. Nos EUA, transações com organizações terroristas designadas são proibidas e podem gerar sanções criminais.
O Tesouro afirma que o PCC atua em países como Japão, Turquia e Reino Unido, além de manter operações nas Américas. Segundo o comunicado, “Redes como a que foi alvo da ação atuam no tráfico de drogas, no contrabando de grandes quantias de dinheiro em espécie para cartéis e em outras atividades ilícitas destinadas a gerar receitas para o PCC”.
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