A classificação dos Estados Unidos para as oitavas de final da Copa do Mundo acabou ficando em segundo plano após a vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia, na quarta-feira (1º/07). O principal assunto da partida foi a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus, que virou alvo de fortes críticas da torcida americana, da imprensa esportiva e de uma enxurrada de memes nas redes sociais.
O lance mais contestado ocorreu ainda no primeiro tempo, quando Folarin Balogun, autor do primeiro gol dos Estados Unidos, foi expulso após revisão do VAR. Claus mudou a decisão inicial e aplicou cartão vermelho por considerar que o atacante atingiu o tornozelo de um adversário com uso de força excessiva.
A decisão provocou reação imediata nas arquibancadas do Levi’s Stadium. Torcedores vaiaram o árbitro e entoaram o tradicional coro “Ref, you suck” (“árbitro, você é um lixo”), comum em eventos esportivos nos Estados Unidos.
Nas redes sociais, a indignação ganhou tom de humor. Um dos comentários mais compartilhados dizia que o governo de Donald Trump deveria revogar o visto de Raphael Claus. Outro afirmava que o árbitro deveria ser enviado para a prisão de Baía de Guantánamo, chamando-o de “inimigo dos Estados Unidos”.
Outro meme que viralizou colocou o brasileiro acima de figuras historicamente vistas como inimigas do país. A publicação listava Osama bin Laden (terrorista que planejou o atentado das Torres Gêmeas em 2001), John Wilkes Booth (assassino do presidente Abraham Lincoln) e Benedict Arnold (oficial militar norte-americano que desertou para o Exército Britânico durante a Guerra da Independência), antes de concluir, em tom de brincadeira, que “o maior vilão da América é Raphael Claus”.
A repercussão também chegou à imprensa americana. Em coluna de opinião, a USA Today afirmou que Claus perdeu o controle da partida e classificou sua atuação como inadequada para um jogo de Copa do Mundo. Já o New York Post destacou que a interpretação do lance mudou após a revisão em câmera lenta, enquanto a ESPN dos Estados Unidos publicou análise do especialista em arbitragem Dale Johnson defendendo que o árbitro sequer deveria ter sido chamado ao monitor pelo VAR, por entender que o protocolo não foi corretamente aplicado.
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O técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, também discordou da expulsão e afirmou que a entrada de Balogun foi acidental e não justificava um cartão vermelho direto.
A decisão repercutiu entre ex-jogadores. O ex-atacante da seleção americana Clint Dempsey afirmou que o lance merecia, no máximo, cartão amarelo e criticou o uso do VAR para ampliar a gravidade da jogada. Alexis Lalas preferiu a ironia e lembrou da entrada de Lionel Messi no argelino Mandi, ignorada tanto pelo árbitro quanto pelo VAR.
“Um jogador é protegido, outro é exposto. Esse é o maior problema no futebol hoje”, destacou Zlatan Ibrahimović, companheiro de Lalas na Fox. “Se o desafio de Balogun é um cartão vermelho direto, então as pessoas têm todo o direito de perguntar por que incidentes semelhantes são julgados de forma diferente. As regras não deveriam mudar dependendo do nome nas costas da camisa. Essa decisão expõe a rigidez do VAR, mas também sua inconsistência. “
Apesar da polêmica, os Estados Unidos confirmaram a classificação às oitavas de final e enfrentarão a Bélgica na próxima fase. Balogun, porém, cumprirá suspensão e desfalcará a equipe no confronto. Enquanto isso, Raphael Claus aguarda uma nova escala da Fifa para o mata-mata da competição.




