Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário de São Paulo atingido por sanções norte-americanas, e apontado como dono da Victory Trading está sob investigação da Polícia Civil de São Paulo em razão de suspeitas de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro vinculados ao caso VaideBet. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, indica que ele comandava, a partir de São Paulo, uma estrutura voltada a esse tipo de operação financeira ilícita.
Além de Victor, pessoas relacionadas a ele, como Stella Henrique de Oliveira, teria atuado como intermediária na coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie, prestando apoio logístico às operações atribuídas à rede de lavagem de dinheiro investigada pelos EUA.
O Tesouro norte-americano também afirma que Shimada atuou como elo entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos EUA e traficantes estrangeiros. No comunicado, o governo Trump voltou a chamar o PCC de “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”. Mas o promotor Lincoln Gakiya, especialista em PCC no Ministério Público de São Paulo, contesta essa ligação direta.
“Aqui no Ministério Público de São Paulo não há nenhuma informação de que o Victor, ou mesmo de que a Stella, ou as empresas ligadas a eles, sejam ou estejam relacionados de alguma forma com o PCC. Nenhuma investigação do Ministério Público aqui aponta para isso”, afirmou Gakiya. O promotor acrescentou: “Nós não temos informação de que ele faça a lavagem para o PCC. A não ser que o FBI e o Departamento de Estado norte-americano tenham conseguido essas provas lá”.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também alvo de sanções econômicas dos EUA, igualmente não é apontada como integrante do PCC pelo promotor Gakiya. As sanções contra ela e Shimada foram formalizadas sob ordens executivas que permitem o bloqueio de bens e a proibição de transações com pessoas ligadas ao crime organizado transnacional e ao que o governo norte-americano classifica como “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA”.
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A empresa no centro das suspeitas
A Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobrança e Tecnologia Ltda., pertencente a Shimada e incluída na lista de sanções do OFAC, registra patrimônio declarado de R$ 30 milhões, de acordo com levantamentos da Polícia Civil de São Paulo. As apurações indicam que a empresa era utilizada como conta de passagem, com o objetivo de dificultar o rastreamento da procedência dos valores movimentados.
Entre março e abril de 2024, a Victory Trading conduziu uma série de repasses financeiros de valores elevados. No dia 28 de março de 2024, a companhia transferiu R$ 200 mil com destino à UJ Football Talent. Em 1º de abril de 2024, duas transações foram realizadas em favor da Buzeira Digital: a primeira no valor de R$ 490 mil e a segunda de R$ 510 mil. Em 22 de abril de 2024, outros R$ 300 mil seguiram para a mesma Buzeira Digital. Somando as operações realizadas entre 1º e 22 de abril, a Victory Trading direcionou R$ 1,3 milhão à Buzeira Digital em menos de um mês, segundo a Polícia Civil de São Paulo.
Conexões com o caso Gritzbach
O nome da UJ Football Talent surge no acordo de delação premiada firmado por Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, que a associa a Danilo Lima de Oliveira, o Tripa, apontado como representante de jogadores com vínculos ao PCC. Gritzbach teve sua vida encerrada em um atentado ocorrido no Aeroporto Internacional de São Paulo em 2024.
O influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira, destinatário de parte dos repasses, está preso desde outubro de 2025 após a Operação Narco Bet, da Polícia Federal.
O fio que liga o Corinthians é justamente um contrato de patrocínio master com a VaideBet. A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo apura se parte da comissão paga pela intermediação desse contrato foi desviada por meio de uma cadeia de empresas, caracterizando um outro esquema de lavagem de dinheiro.
Na investigação do caso VaideBet, o Ministério Público e a Polícia Civil apontam que parte do dinheiro teria seguido para empresas posteriormente relacionadas à UJ Football, empresa citada na delação de Antonio Vinícius Gritzzbach como supostamente ligada à lavagem de dinheiro para o PCC.
No entanto, é importante ressaltar que o Ministério Público trata o clube como vítima do suposto esquema, e o próprio Corinthians afirma ser assistente da acusação na ação penal e diz que Shimada nunca prestou serviços diretos ao clube.
Processos e outros alvos
Além das investigações sobre lavagem, Shimada responde a quatro processos por ameaça, violência doméstica e familiar, injúria e lesão corporal dolosa. A Polícia Civil ressalta que esses processos não têm ligação direta com organização criminosa.




