Justiça remarca para 2027 júri de PMs acusados de matar delator do PCC em Guarulhos

Julgamento foi anulado após a defesa abandonar o plenário durante discussão com a promotoria; novo conselho de sentença será sorteado

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Vinicius Gritzbach foi morto com tiros de fuzil na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro de 2024. (Foto: Reprodução Polícia Civil)

A Justiça de São Paulo remarcou para os dias 22, 23, 24, 25 e 26 de fevereiro de 2027 o julgamento dos três policiais militares acusados de participar da execução do empresário e corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach, morto a tiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro de 2024.

O júri popular havia começado na segunda-feira (22), mas foi interrompido e posteriormente anulado após uma série de discussões entre integrantes da defesa e da acusação. Com a dissolução do Conselho de Sentença, todos os depoimentos já prestados foram invalidados e precisarão ser refeitos no novo julgamento.

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Os réus são o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Dênis Antônio Martins e o tenente Fernando Genauro da Silva, que permanecem presos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes. Eles respondem por homicídio doloso, organização criminosa e também pelas mortes e tentativas de homicídio relacionadas ao atentado ocorrido no aeroporto.

Na decisão que remarcou o júri, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo manteve as prisões preventivas dos acusados. Segundo o magistrado, a libertação dos réus poderia influenciar negativamente testemunhas e vítimas sobreviventes que ainda participarão do processo.

A interrupção do julgamento ocorreu após um novo embate entre os advogados de defesa e o promotor Rodrigo Merli, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A discussão aconteceu durante o depoimento de uma testemunha, quando foram levantados questionamentos sobre uma investigação relacionada a um suposto atentado sofrido por um dos advogados da defesa.

Após o episódio, os defensores deixaram o plenário. Em nota, o Ministério Público afirmou que a dissolução do júri ocorreu em razão da recusa dos advogados em prosseguir com a sessão, o que deixaria os réus sem defesa técnica durante o julgamento. Já os advogados criticaram a conduta do promotor e anunciaram que pretendem apresentar representação contra ele aos órgãos competentes.

Familiares das vítimas também reagiram à interrupção do julgamento. A viúva de Celso Araújo Sampaio Novais, motorista de aplicativo morto durante o ataque no aeroporto, lamentou o adiamento e cobrou uma definição do caso.

Relembre o caso

Vinícius Gritzbach foi assassinado em 8 de novembro de 2024, após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Considerado um dos principais delatores do Primeiro Comando da Capital (PCC), ele colaborava com investigações sobre integrantes da facção criminosa e agentes públicos suspeitos de corrupção.

Segundo a acusação, os três policiais militares teriam atuado diretamente na execução. O Ministério Público sustenta que o cabo Dênis e o soldado Ruan foram os atiradores, enquanto o tenente Genauro teria participado da ação, dando apoio à fuga dos executores.

Além da morte de Gritzbach, os acusados também responderão pela morte do motorista de aplicativo Celso Novais e pelas tentativas de homicídio de outras duas pessoas atingidas pelos disparos durante o atentado.

Leia mais: Júri de PMs acusados de matar Gritzbach é anulado após briga no plenário

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