Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), revelou nesta quinta-feira (02/07) que Michelle Bolsonaro manifestou resistência em se engajar na campanha do senador Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama também teria comunicado diretamente a ele o desejo de deixar a presidência do PL Mulher, ala feminina do partido, além de sinalizar que pode abrir mão de concorrer a uma cadeira no Senado.
Valdemar disse que Michelle foi até ele pessoalmente para comunicar a decisão. “Ela me disse que queria sair da presidência do partido. Eu não tenho o que fazer, que talvez não fosse candidata a senadora”, afirmou.
Ele reconheceu o trabalho dela à frente do PL Mulher: “Ela fez um trabalho no PL Mulher que eu não sei se outra mulher teria condições de fazer”, disse, deixando claro que não tinha como interferir na escolha.
A tensão entre Michelle e Flávio veio a público no dia 24 de junho, quando a ex-primeira-dama publicou nas redes sociais que havia sido humilhada pelo senador. O episódio expôs um racha interno no PL que envolve a disputa pelo palanque do partido no Ceará.
O embate ganhou outro capítulo quando Michelle compartilhou um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho com críticas ligadas ao Banco Master, insinuando que Flávio teria participado da Festa do Astronauta, em Nova York, em 2024.
Valdemar reprovou a atitude. “Olha, ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade. O posicionamento da presidente Michelle, e eu tenho ela no melhor conceito do mundo, foi desaprovado”, completou.
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Reunião e acerto de contas
Uma reunião entre Flávio e Valdemar aconteceu na quarta-feira (1º/07). Ao término do encontro, o presidente do PL declarou que os impasses envolvendo Michelle e Flávio haviam sido superados e que a campanha do senador continuava em curso normalmente. “O Flávio está tocando a campanha para frente, a Michelle resolveu sair da presidência do PL Mulher e nós estamos tocando a nossa vida”, disse.
O cenário no Ceará também pesou nas negociações internas. O PL chegou a tentar uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes, do PSDB, no estado, movimento que ilustra a complexidade do xadrez eleitoral local e o quanto a disputa pelo palanque cearense alimentou o conflito entre os dois.




