Prefeito que chamou Gusttavo Lima de ladrão é réu por compra de voto

Cléber Chaparral, de Surubim (PE), é réu na Justiça Eleitoral por esquema que envolvia dinheiro, materiais de construção e cirurgias a eleitores

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Cléber Chaparral (União)
Reprodução Facebook/Cléber Chaparral (União)

Cléber Chaparral, prefeito de Surubim (PE) pelo União Brasil, responde como réu na Justiça Eleitoral por alegada captação ilícita de sufrágio durante o pleito de 2024. A acusação foi formulada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que o identifica como idealizador e principal beneficiado pela prática. O episódio voltou à mídia depois que o prefeito chamou o cantor Gusttavo Lima de ladrão em vídeo, poucos dias após um show cancelado no município.

De acordo com o MPE, a prática ilícita consistia na distribuição de numerário em espécie, insumos para construção civil, consultas médicas e procedimentos cirúrgicos a eleitores. As apurações tiveram início quando agentes flagraram Jonas Luiz do Nascimento em comportamento suspeito. Um “kit de corrupção eleitoral profissionalizada” foi localizado em um veículo abandonado.

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A Polícia Federal (PF) considerou que a materialidade do crime encontra respaldo direto e consistente nos elementos documentais apreendidos, “revelando um conjunto coerente de fatos que apontam para a disponibilização, organização, circulação e potencial entrega de vantagens indevidas em contexto eleitoral, com o objetivo de obtenção de votos ou apoio político”. Os autos foram encaminhados à PF para verificação da materialidade dos fatos.

O montante em dinheiro físico apreendido chegou a R$ 23,7 mil, de acordo com o MPE. Além de Chaparral, a peça acusatória incluiu Jonas Luiz do Nascimento e Juliana Barbosa da Silva Aguiar, cônjuge do prefeito e titular da prefeitura de Casinhas (PE). O MPE requereu ainda a fixação de um valor mínimo de R$ 100 mil a título de reparação por danos morais coletivos.

À época dos fatos, Chaparral ocupava o cargo de deputado estadual. A defesa afirmou que uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral anterior “tratou do mesmo núcleo fático e, após extensa instrução processual, foi julgada totalmente improcedente, afastando a existência de abuso de poder, compra de votos, distribuição de dinheiro, materiais de construção, consultas médicas ou qualquer outra irregularidade eleitoral”.

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A defesa acrescentou ainda que “O Ministério Público Eleitoral participou de toda a instrução da Ação e, mesmo assim, não interpôs recurso contra a sentença absolutória, circunstância que reforça a inexistência de novos elementos probatórios capazes de modificar as conclusões já alcançadas pelo Poder Judiciário”. Sobre a nova ação, a defesa afirmou que “A denúncia não identifica um único eleitor que tenha recebido vantagem em troca de voto, não individualiza qualquer conduta atribuída ao prefeito e se apoia em inferências já afastadas pela prova produzida na AIJE”.

O show cancelado e o vídeo

A Prefeitura de Surubim teria pago um cachê de R$ 1,3 milhão pelo show, segundo informações da própria prefeitura, dado que, até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial independente.

Após o cancelamento, Chaparral gravou um vídeo e atacou o cantor. “Gusttavo Lima é um ladrão de consciência, é um ladrão do dinheiro do povo. Gusttavo, para você ser um homem, pega logo e devolve o dinheiro da prefeitura de Surubim, que tu não precisa”, afirmou o prefeito. O cantor, por sua vez, explicou a ausência nas redes sociais: “Galera de Surubim, mil desculpas por não comparecer no show de hoje, intoxicação alimentar, traduzindo, caganeira msm. Tô numa diarreia absurda, fraco, suando frio. Me perdoem”.

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Na prática, o episódio colocou em evidência a situação jurídica de Chaparral: um gestor público que acusa um artista de não devolver verba pública enquanto ele próprio responde a uma ação por corrupção eleitoral na Justiça.

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