Flávio Bolsonaro pede a Trump suspensão do tarifaço de 25% sobre o Brasil

Pré-candidato à Presidência enviou ofício ao governo dos EUA na quarta-feira e argumenta que manter as tarifas favorece o atual governo Lula

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Flávio Bolsonaro
(Foto: Alexandre Meneghini/Reuters)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou, nesta quarta-feira (01/07), um ofício às autoridades norte-americanas solicitando que a sobretaxa de 25% aplicada a produtos brasileiros seja suspensa. O argumento central é político: na visão do senador, manter as tarifas às vésperas das eleições presidenciais no Brasil favoreceria o presidente Lula.

Com ambições declaradas à Presidência da República, Flávio Bolsonaro sustenta no documento que a manutenção das tarifas entregaria ao atual governo federal exatamente o trunfo político que ele vem buscando. “As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que prejudicariam a economia americana e os próprios brasileiros, que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, escreveu o senador.

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“Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro justamente pela estratégia que ele tem adotado: obstaculizar negociações sérias, provocar retaliações por parte de Washington e, em seguida, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, reiterou.

O senador também argumentou que “Os Estados Unidos têm um interesse consolidado em não tomar medidas econômicas de grande porte contra uma democracia estrangeira nas semanas anteriores a uma eleição nacional disputada, onde a ação corre o risco de ser retratada […] como uma tentativa de influenciar o resultado”. Por isso, pediu que a implementação das tarifas seja adiada ao menos até depois do pleito. “Adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização”, disse.

Reuniões em Washington

O senador se encontrou recentemente com o presidente Donald Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio, ocasião em que o tema das tarifas esteve no centro das conversas. Flávio não divulgou detalhes sobre o conteúdo dos diálogos além desse ponto.

Por trás do pedido de suspensão há um prazo definido: o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) estabeleceu o dia 15 de julho como data-limite para que o Brasil adote medidas corretivas. Se as exigências não forem atendidas até então, as taxas passam a ter caráter permanente.

O que o USTR acusa o Brasil de fazer

A alíquota de 25% foi estabelecida em junho, depois que o USTR encerrou uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras amparada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — instrumento que autoriza os EUA a retaliar nações cujas condutas no comércio internacional sejam consideradas desleais.

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O relatório do USTR elenca diversas acusações contra o Brasil. O Banco Central do Brasil é apontado como agente de práticas discriminatórias e duais em relação a empresas americanas. O governo federal, por sua vez, é responsabilizado por restrições no comércio digital, falhas no combate ao desmatamento ilegal e proteção insuficiente à propriedade intelectual. O órgão americano também critica medidas brasileiras que, segundo ele, distorcem a competição ao sancionar empresas de tecnologia norte-americanas por não atenderem a determinações de retirada de conteúdo.

Ainda assim, o alcance do tarifaço tem limites. O USTR excluiu da lista de sobretaxas uma série de itens tidos como essenciais ao funcionamento da economia americana: carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, minérios, terras-raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos continuam isentos das novas taxas.

Na prática, o prazo de 15 de julho coloca o governo brasileiro diante de uma escolha: negociar concessões comerciais com Washington ou enfrentar a aplicação definitiva das tarifas, com impacto direto sobre exportadores e sobre o custo de produtos que dependem do mercado americano.

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