A ideia da OpenAI de transformar o governo dos Estados Unidos em sócio das maiores empresas de inteligência artificial está longe de ser um consenso.
Segundo o Financial Times, Sam Altman propôs que a OpenAI e outras desenvolvedoras de IA destinassem 5% de suas ações a um fundo público, para que os americanos também participassem dos lucros da revolução da inteligência artificial.
O problema é que o restante da indústria não parece disposto a seguir esse caminho.
A Microsoft foi a primeira a se posicionar de forma clara. O presidente da empresa, Brad Smith, afirmou que a companhia prefere colaborar com o governo, mas não pretende abrir mão de participação acionária.
Na Meta, o diretor de assuntos globais disse que essa proposta simplesmente não faz parte das prioridades da empresa.
A situação da Anthropic também gerou dúvidas. Inicialmente, a empresa foi apontada como simpática à ideia de criar mecanismos para dividir os ganhos da IA com a população. Mas, nesta quinta-feira, uma fonte afirmou à Reuters que não houve qualquer conversa entre a empresa e o governo americano sobre a venda de participação acionária.
Além da resistência das empresas, a proposta também encontra pouca receptividade entre parlamentares, que levantam dúvidas sobre conflitos de interesse e sobre o papel do Estado como regulador e, ao mesmo tempo, acionista de empresas privadas.
O que isso importa?
A inteligência artificial está se tornando uma das indústrias mais valiosas do planeta. A pergunta agora deixou de ser apenas quem liderará essa corrida. Passou a ser quem ficará com os lucros dela.
A OpenAI acredita que parte dessa riqueza deveria chegar diretamente à população por meio do governo.
Microsoft, Meta e outros atores importantes, por enquanto, pensam diferente.
O resultado é que, pela primeira vez, a indústria de IA começa a mostrar divergências públicas sobre como dividir o poder — e o dinheiro — da maior revolução tecnológica desta geração.
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