Os dados da mais recente pesquisa Atlas/Bloomberg mostram que o episódio envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro alcançou ampla repercussão entre o eleitorado e produziu efeitos distintos conforme o perfil político dos entrevistados.
Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados afirmaram ter assistido aos vídeos em que a ex-primeira-dama relata ter sido maltratada por Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro que tiveram acesso ao conteúdo, 55% disseram não acreditar nas acusações feitas por Michelle.
O cenário muda entre os eleitores independentes, grupo sem identificação com o PT ou com o bolsonarismo e frequentemente apontado como decisivo em disputas presidenciais. Nesse segmento, 62% afirmam acreditar na versão apresentada por Michelle Bolsonaro, enquanto apenas 10% demonstram maior concordância com Flávio Bolsonaro.
Já entre os entrevistados que se declaram bolsonaristas, 30% afirmam acreditar no relato da ex-primeira-dama e outros 17% dizem tender a concordar com ela, o que representa um total de 47% de eleitores desse grupo que, em alguma medida, dão credibilidade à narrativa de Michelle.
Apesar desse percentual, os números não indicam, necessariamente, uma migração de votos. Na condição de principal representante do bolsonarismo na disputa presidencial e principal adversário de Lula no campo da direita, Flávio Bolsonaro tende a manter o apoio de parte significativa desse eleitorado. Ainda assim, em um cenário de disputa acirrada, oscilações pequenas podem ter relevância eleitoral.
O dado mais expressivo da pesquisa aparece justamente entre os eleitores independentes. Nesse grupo, 68% avaliam que o conflito entre Flávio e Michelle Bolsonaro enfraquece, em alguma medida, a pré-candidatura do senador.
Esse levantamento reforça a avaliação de que a ex-primeira-dama ainda não reúne força política para se sobrepor à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro — mesmo que estivesse trabalhando por isso, o que não é o caso, com base no que temos de apuração até agora.
Ao mesmo tempo, a reação das redes aliadas de Flávio evidencia esse desequilíbrio de forças.
Ainda assim, Michelle consolidou uma liderança própria, especialmente entre mulheres e segmentos evangélicos, além de manter interlocução com quadros de partidos como Republicanos e Progressistas.
Trata-se, portanto, de uma liderança politicamente ainda dependente de Jair Bolsonaro, mas com características e bases de influência distintas daquelas construídas pelos filhos do ex-presidente.