A Seleção Brasileira entra em campo para enfrentar a Noruega às 17h (de Brasília) deste sábado (04/07) em busca de uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. Da Barra Funda de São Paulo, os palmeirenses estarão apoiando o Brasil, assim como apoiaram seu próprio time no dia 7 de setembro de 1965.
No futebol existe a brincadeira de que “esse não é um time, é uma seleção!”, mas o Palmeiras de fato foi a Seleção Brasileira por um dia. Durante a inauguração do Mineirão, o Verdão foi convidado para representar o Brasil em um amistoso contra o Uruguai e venceu por 3 a 0.
“As festividades de inauguração do Mineirão foram bem abrangentes e muito bem arquitetadas em várias frentes: cívica, política e também esportiva que contemplava uma série de outros eventos no início de setembro. A participação do Palmeiras nos festejos do Mineirão, em 7 de setembro de 1965, vai se dar por dois motivos: o primeiro e grande motivo é técnico, o Palmeiras tinha conquistado o Rio-São Paulo de 1965, o torneio mais forte em âmbito interestadual e nacional, de forma avassaladora; outro motivo era que o governador do estado de Minas Gerais, o Magalhães Pinto, tinha uma grande afinidade com o Palmeiras“, contou Fernando Galuppo, historiador do Palmeiras, em entrevista à TMC.
Além de ter conquistado o Rio-São Paulo de 1965 e, no mesmo ano, ter batido a seleção paraguaia por 5 a 2, a Academia de Futebol do Palmeiras fez história no futebol brasileiro durante a década de 1960. Foram conquistados os Campeonatos Paulistas de 1959, 1963 e 1966, além de três conquistas brasileiras em 1960, 1967 e 1969.
A equipe também batia de frente com o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha. Então, o Verdão foi chamado para representar a Seleção Brasileira diante do Uruguai, principal potência sul-americana da época pelos títulos de 1930 e 1950 da Copa do Mundo junto das conquistas olímpicas de 1924 e 1928. Do massagista ao ponta-esquerda, o Alviverde representou a Canarinho.
“Foi criado um troféu, a Taça Independência. De 1965 a 1988, ela ficou em um salão festivo do Mineirão, porque nem mesmo CBD-CBF nem Palmeiras sabiam de quem era a posse daquele troféu: se era uma conquista da Seleção ou do Palmeiras. Em 1988, antes de uma partida no Mineirão, foi cedida a taça”, contou o historiador à TMC.
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“O Mineirão é um projeto ousado, um projeto cinquentista de estádios-multidão. Naquele momento, era o terceiro maior palco do futebol mundial, atrás do Estádio de Glasgow, na Escócia, e do Maracanã. Então, você tem todo um contexto de contemplar equipes que tinham uma supremacia de nível técnico, que foram o Santos de Pelé e o Palmeiras com a camisa amarela da Seleção Brasileira”, emendou.
Além do confronto entre Palmeiras-Brasil e Uruguai, a Taça Independência também teve outros confrontos, incluindo da Seleção Mineira, um conjunto dos melhores atletas da região, contra o River Plate, da Argentina. Santos e Botafogo também atuaram no estádio.
O Palmeiras foi a campo com Valdir de Morais; Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Julinho Botelho, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo. Ainda, entraram no decorrer da partida Picasso, Procópio, Zequinha, Germano, Ademar Pantera e Dario Alegria. Os gols alviverdes foram anotados por Rinaldo, Tupãzinho e Germano.
A partida ainda trouxe uma marca histórica. Como o argentino Filpo Nuñez comandava o Palmeiras, tornou-se o primeiro técnico do país a comandar a Seleção Brasileira em uma partida.
“A partida com a seleção do Uruguai vai fechar uma temporada histórica para o Palmeiras. Em termos de conquistas, tem o torneio que disputa no Maracanã, o Rio-São Paulo, que é o auge do modelo de jogo ‘pim-pam-pum’ do Filpo Nuñes, em que todos os rivais foram goleados, e é premiado com enfrentar a principal seleção do continente. E, acima de tudo, vencer com a camisa da Seleção Brasileira“, relatou o historiador.
“É um momento muito mágico tanto na história do clube quanto do futebol. É esse time que vai fazer grandes enfrentamentos com o principal time do futebol mundial, o Santos de Pelé. E uma rivalidade não só local como nacional, o que explica a presença desses clubes nacionalmente. O 7 de setembro de 1965 tem esse peso muito além de um jogo em si. Tem representatividade para a Seleção Brasileira, para o Palmeiras e toda uma comunidade do futebol“, encerrou.




