‘Pescoço tecnológico’: veja o que é, os sinais, os riscos e como evitar o problema

Sobrecarga na coluna cervical provocada pela postura inadequada é uma das principais causas do chamado ‘tech neck’

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Mulher jovem usando celular com a mão no pescoço, vestindo camiseta cinza, vista frontal.
(Foto: 8photo/Magnific)

O “tech neck”, também conhecido como “pescoço tecnológico”, é uma condição causada pela postura inadequada durante o uso prolongado de celulares, tablets e computadores. “Quando a cabeça fica inclinada para frente, para usar o celular, a pessoa pode chegar a uma inclinação de 60 graus, gerando um peso de 30 quilos que sobrecarrega muscularmente com pressão das articulações cervicais, o que pode resultar em dores de cabeça, torcicolo e uma saliência como um calombo no pescoço”, explica o quiropraxista Gregory Arcas.

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Acompanhando uma torcida de futebol, a reportagem conheceu Marcelo de Lima, vendedor, que utilizava o celular na altura dos olhos, chamando a atenção pelo jeito incomum de segurar o aparelho.

“Estava com uma forte dor de cabeça há meses. Fui ao médico para saber o que era, fiz exames e nada, até que me consultei com uma fisioterapeuta em uma cidade vizinha e ela disse que tinha a ver com a postura na hora de usar o celular, que eu estava com ‘pescoço de celular'”, explicou Marcelo.

Ele não é o único. Um estudo publicado na revista científica Work apontou que entre 55,8% e 89,9% dos usuários de celulares relataram dores no pescoço e na parte superior das costas. Má postura causa dor de cabeça? A resposta é sim.

“Essa sobrecarga na região do pescoço e da nuca irrita estruturas nervosas e reduz a mobilidade cervical, gerando tensão constante nos músculos suboccipitais, causando a cefaleia”, destacou Arcas.

Risco maior no Brasil?

Segundo o Online Life Study 2026, da NordVPN, o Brasil lidera o ranking de tempo de permanência na internet entre os 20 países pesquisados, com média de 116 horas por semana conectados. Uma pesquisa do IBGE aponta que o consumo de internet aumentou 14% nos últimos anos, atingindo a marca de 168,7 milhões, o que corresponde a 90% da população com 10 anos ou mais.

Se o brasileiro não se atentar em como se relacionar de maneira saudável com o avanço tecnológico, pode ter uma grande dor de cabeça – literalmente (e aqui o repórter também se inclui!).

E como fugir disso?

Gregory Arcas destacou que tem aumentado o número de pacientes buscando sua clínica dele nos últimos anos com relatos de “tech neck”. Ele comenta que, embora existam medidas para tratar o problema que envolvem profissionais como médicos, fisioterapeutas e quiropraxistas, a medida principal está na mudança de hábitos.

“A maioria das pessoas não percebe quando está na postura errada. Embora o tipo de tratamento dependa da gravidade de cada caso, também não adianta ajudarmos o paciente se ele não mudar sua rotina com os aparelhos. É importante estar atento: ao usar o computador, mantenha a tela na altura dos olhos. No celular, evite manter a cabeça inclinada para baixo por muito tempo; sempre que possível, eleve o aparelho até a altura dos olhos”.

Segundo especialistas, alongamento de pescoço e cabeça, antes de iniciar o uso dos aparelhos por períodos de horas contínuas, ajuda, além de organizar momentos para ficar sem utilizá-los também, fazendo pequenas pausas.

Leia mais: Por que torcer na Copa do Mundo provoca ansiedade?

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