A EMS, maior grupo farmacêutico do Brasil, prepara o lançamento de uma segunda caneta de semaglutida, o princípio ativo dos remédios para emagrecer que viraram febre no país. A nova marca se chama Brace Pharma e está prevista para chegar às farmácias em novembro, segundo Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.
O registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) será protocolado em julho. Para medicamentos dessa categoria, denominados clones ou genéricos, o prazo médio de aprovação gira em torno de 90 dias contados a partir do protocolo.
Por que a EMS quer duas marcas do mesmo remédio
A estratégia pode parecer estranha à primeira vista. Mas Sanchez explica a lógica: segundo ele, a EMS entende que o produto vai crescer muito no Brasil e, com volume maior, faz sentido atuar na categoria com mais de uma marca.
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As duas marcas terão equipes médicas diferentes e vão atender públicos e regiões distintos. Conforme Sanchez, cada empresa tem um foco, com painéis médicos diferentes, enquanto um grupo atende certo conjunto de profissionais, a equipe da Brace Pharma vai a outro grupo. O objetivo declarado é garantir mais acesso ao medicamento no Brasil.
As duas canetas serão fabricadas na mesma unidade industrial localizada em Hortolândia, no interior de São Paulo. Segundo Sanchez, a capacidade instalada da planta supera a demanda atual do Ozivy, o que permite acomodar a segunda marca sem exigir novos aportes em infraestrutura.

O desempenho do Ozivy abre o apetite
O Ozivy foi lançado oficialmente em 15/06 como a primeira semaglutida fabricada no Brasil. O resultado inicial foi expressivo: segundo Sanchez, o produto faturou R$ 100 milhões e vendeu 230 mil unidades nos primeiros 15 dias.
Para os próximos 12 meses, a projeção é de pelo menos R$ 500 milhões em faturamento e 1,2 milhão de unidades vendidas, conforme Sanchez. O preço inicial é de cerca de R$ 450 por caixa.
Com a entrada da Brace Pharma no mercado, a EMS estima que o volume combinado das duas marcas pode superar 2 milhões de unidades e R$ 800 milhões em faturamento anual. Somente a Brace Pharma projeta 700 mil unidades nos primeiros 12 meses, com receita estimada em aproximadamente R$ 250 milhões.
O que é semaglutida e por que o mercado é tão disputado
A semaglutida é o princípio ativo de remédios injetáveis usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Ela age no cérebro reduzindo o apetite e no pâncreas regulando a insulina. Na prática, quem usa sente menos fome e tende a perder peso.
De acordo com o NeoFeed, o segmento no Brasil deve movimentar R$ 15,6 bilhões em 2026. O potencial do setor explica a corrida de diversas empresas por versões nacionais do produto: Eurofarma, Ávita Care, Adalvo, Sandoz, Hypera Pharma, Cristália e Livzon figuram entre as que disputam posição no mercado.
Para que a Brace Pharma obtenha seu registro, a Anvisa precisa antes enquadrar o Ozivy como medicamento de referência, etapa que viabiliza o pedido de clones. Há indicativos de que essa classificação possa ocorrer em 08/07, data em que o assunto consta da agenda da Diretoria Colegiada do órgão, embora a decisão ainda não esteja confirmada.
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O peso da EMS no setor
O Grupo EMS superou R$ 10 bilhões em faturamento em 2025. No mesmo período, a Brace Pharma registrou receita de aproximadamente R$ 500 milhões, o que representa cerca de 5% do total arrecadado pelo grupo, conforme o NeoFeed.




