O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), foi escolhido pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, para copresidir a força-tarefa que revisará a comunicação do banco central dos Estados Unidos. O grupo faz parte de um pacote de cinco comissões criadas para avaliar e modernizar diferentes áreas da autoridade monetária americana.
Fraga trabalhará ao lado de Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra, e Peter R. Fisher, professor da Universidade de Washington, na análise de como o Fed comunica suas decisões de política monetária em períodos de incerteza econômica. As recomendações serão apresentadas ao Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável por definir os juros nos Estados Unidos, até o fim do ano.
Quem é Arminio Fraga
Nascido no Rio de Janeiro, em 1957, Arminio Fraga é um dos economistas brasileiros de maior reconhecimento internacional. Ele possui dupla nacionalidade, brasileira e americana, e é doutor (Ph.D.) em Economia pela Universidade de Princeton.
Sua passagem mais conhecida pelo setor público ocorreu entre 1999 e 2003, quando presidiu o Banco Central durante o segundo mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Fraga assumiu o cargo em meio à crise cambial que levou à adoção do câmbio flutuante e participou da implementação do regime de metas de inflação, modelo que permanece como base da política monetária brasileira.
Antes de comandar o BC, ganhou projeção no mercado financeiro internacional ao atuar no Quantum Fund, ligado ao investidor George Soros. Após deixar o governo, fundou a Gávea Investimentos, gestora que se tornou uma das principais do mercado brasileiro. Também presidiu o conselho da B3.
Qual será a função de Fraga no Fed
A missão da força-tarefa será avaliar se a forma como o Federal Reserve comunica suas decisões continua adequada ao atual cenário econômico e propor melhorias para tornar as mensagens mais claras e previsíveis para investidores, empresas e consumidores.
A comunicação é considerada um instrumento relevante da política monetária porque influencia as expectativas do mercado sobre os próximos passos da autoridade monetária. Mudanças na linguagem utilizada pelo Fed podem afetar mercados financeiros ao redor do mundo.
Segundo o banco central americano, os integrantes das cinco forças-tarefa atuarão de forma independente, com a missão de apresentar análises baseadas em evidências e sugestões para aperfeiçoar o funcionamento da instituição.
Reforma do banco central americano
A revisão foi anunciada pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh, como parte de um processo de modernização da instituição. Além da comunicação, os grupos analisarão temas como gestão do balanço patrimonial, uso de dados, produtividade e emprego, além da estrutura da política de inflação.
Warsh afirmou que as mudanças buscam adaptar o Federal Reserve às transformações da economia americana e avaliar se as ferramentas utilizadas pelo banco central continuam adequadas ao cenário atual.
*Com informações da Reuters
Leia mais: Quantas instituições financeiras o Banco Central já liquidou? Veja a lista




