Nesta quinta-feira (09/07), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ingressou com ação civil pública contra a influenciadora digital Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze. A ação requer indenização por danos morais coletivos de ao menos R$ 120 milhões e aponta uma estratégia coordenada de atração de apostadores ao longo da Copa do Mundo de 2026.
No centro do caso está um vídeo divulgado por Virginia na última sexta-feira (3), no qual ela estimulava seus seguidores a colocar dinheiro na vitória da seleção de Cabo Verde diante da Argentina, em partida eliminatória da Copa.
O MPDFT aponta que o conteúdo não foi identificado como material publicitário. “Como esperado pelo senso médio, a Seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação”, afirma o Ministério Público.
Linguagem emocional e público vulnerável
O MPDFT afirma que Virginia usou linguagem emocional para induzir seguidores a um comportamento com consequências financeiras. O órgão descreve a conduta da influenciadora como parte de um modelo sistemático da Blaze.
“As apurações demonstram que a conduta de Virginia Fonseca não foi episódica. Ela integra um modelo sistemático e estruturado de captação de apostadores orquestrado pela Blaze durante a Copa do Mundo de 2026. A plataforma adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas, explorando a alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo”, afirma o órgão.
De acordo com o MPDFT, o público prioritariamente visado por essas campanhas é formado por pessoas em condição de hipervulnerabilidade econômica, atraídas pela “promessa ilusória de ‘renda extra’ e pela identificação afetiva com as figuras públicas contratadas”. A plataforma acumula mais de 42 mil reclamações registradas. As investigações do MP foram iniciadas em 2023, época em que a Blaze ainda operava sem licença federal.
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O que dizem as partes
Em depoimento no Senado, Virginia Fonseca disse não se arrepender das propagandas de apostas. Ao longo do depoimento, a influenciadora afirmou “que sempre seguiu a legislação e alertou seguidores sobre os riscos das bets”, “que não usa a própria conta de apostadora para gravar os vídeos de publicidade” e “que ainda tem contrato de publicidade com a Blaze, mas não mais com a Esportes da Sorte”. A influenciadora acrescentou que seus acordos comerciais não incluem a chamada cláusula da desgraça.
O advogado Sanderson Mafra, representante de Virginia, afirma que a defesa “refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores”. A equipe jurídica tomou ciência da ação por meio de veículos de comunicação na tarde desta quinta-feira (09/07).
A Foggo Entertainment Ltda, proprietária da marca Blaze, informou em nota: “A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e Operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país.
Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário.”




