A derrota por 2 a 1 para a Espanha, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, simboliza o encerramento definitivo da chamada “geração de ouro” da Bélgica, formada por nomes como Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku. Embora a renovação da equipe já estivesse em andamento, a eliminação marca o fim do ciclo dos jogadores que colocaram o país entre as principais forças do futebol mundial na última década.
Os três principais remanescentes da equipe chegaram ao Mundial já em reta final de carreira. Courtois disputou a competição aos 34 anos, De Bruyne aos 35 e Lukaku aos 33. Outros ídolos do grupo, como Eden Hazard, Vincent Kompany e Jan Vertonghen, já haviam deixado a seleção nos últimos anos.
A melhor campanha dessa geração segue sendo o terceiro lugar na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, quando a Bélgica eliminou o Brasil nas quartas de final e conquistou o melhor resultado de sua história em Mundiais. Depois disso, a equipe caiu ainda na fase de grupos em 2022 e voltou a ser eliminada nas quartas de final neste ano, desta vez diante da Espanha.
Os três principais líderes tiveram desempenhos distintos na despedida. Courtois viveu o momento mais dramático, ao sofrer uma lesão na coxa esquerda durante o segundo tempo da partida contra os espanhóis. O goleiro deixou o gramado chorando e viu o reserva Senne Lammens falhar no lance que resultou no gol da classificação espanhola.
De Bruyne, capitão da equipe, fez uma Copa abaixo das expectativas. Limitado fisicamente, chegou a ser deixado no banco de reservas nas oitavas de final pelo técnico Rudi Garcia e voltou ao time contra a Espanha, mas teve atuação discreta antes de ser substituído no fim da partida.
Já Lukaku foi o destaque entre os veteranos. Mesmo convivendo com problemas físicos e atuando como reserva em boa parte do torneio, o atacante marcou três gols e entrou para a história ao se tornar o primeiro jogador a balançar as redes saindo do banco em quatro partidas diferentes de Copa do Mundo. Contra a Espanha, porém, não conseguiu evitar a eliminação.
Além da questão física, o peso da expectativa também acompanhou a equipe durante anos. A geração que ficou conhecida como “dourada” conviveu com a cobrança por conquistar um título inédito para a Bélgica, mas acabou esbarrando repetidamente em seleções tradicionais nas fases decisivas das grandes competições.
O encerramento desse ciclo, no entanto, não representa o fim da competitividade da Bélgica. A equipe nacional já conta com uma nova base formada por jogadores como Jérémy Doku, Amadou Onana, Loïs Openda e Johan Bakayoko, que devem liderar o processo de renovação. A expectativa, porém, é diferente da vivida nos últimos anos: em vez de entrar como uma das favoritas ao título, os belgas voltam a ocupar o papel de equipe capaz de surpreender os principais candidatos.
Sem conquistar a taça que perseguiram durante mais de uma década, Courtois, De Bruyne, Lukaku e seus companheiros deixam como principal legado a transformação da Bélgica em uma presença constante entre as grandes seleções do futebol internacional.
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