O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou nesta terça-feira (14/07) da intenção de cobrar um pedágio de 20% sobre embarcações no Estreito de Ormuz. Em vez da taxa, o presidente norte-americano anunciou acordos comerciais e de investimento com países do Golfo Pérsico. O bloqueio naval contra o Irã, porém, segue previsto.
“Com base em conversas altamente produtivas com líderes do Oriente Médio, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% devida aos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que vários Estados do Golfo realizarão nos EUA”, anunciou Donald Trump em sua rede social Truth Social.
Trump afirmou que os países do Golfo farão investimentos que descreveu como gigantescos dentro dos Estados Unidos. Mas nenhum governo da região confirmou os acordos até a última atualização da reportagem.
Cerca de uma hora depois do anúncio, em coletiva de imprensa, Trump foi além e disse não concordar com a própria ideia de cobrar taxas no estreito. “Não acho que alguém deva poder cobrar uma taxa. (…) Não gosto dessa ideia, mas, ao mesmo tempo, não é justo que estejamos protegendo este estreito para o mundo inteiro”, afirmou.
Desistir do pedágio não representa uma retirada completa das ações militares. Trump confirmou que o bloqueio naval no Estreito de Ormuz — passagem com aproximadamente 50 quilômetros de largura — está mantido para esta terça-feira. A ação terá como alvo embarcações iranianas e as forças armadas dos EUA atuarão ao longo do litoral do Irã.
As Forças Armadas dos EUA confirmaram que o bloqueio começaria ainda nesta tarde.
O Estreito de Ormuz ocupa posição central no comércio energético mundial. Antes de o conflito entre EUA e Irã eclodir, o volume de petróleo e gás que transitava por ali correspondia a aproximadamente 20% de toda a negociação global dessas commodities.
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O acordo de junho e a trégua rompida
Em junho, EUA e Irã firmaram um acordo com o objetivo de encerrar as hostilidades. O documento estabelecia um cessar-fogo imediato e abria uma janela de 60 dias destinada às negociações pela paz definitiva. A trégua, porém, desmoronou na semana passada, levando ao colapso total do acordo.
Foi nessa segunda-feira (13/07) que Trump havia anunciado a intenção de cobrar o pedágio de 20% sobre as embarcações que cruzassem Ormuz. A desistência veio menos de 24 horas depois.




