A confirmação da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros acrescentou um novo elemento de desgaste à pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A tentativa de atuar diretamente junto ao governo norte-americano para evitar a medida não produziu o resultado esperado e acabou recolocando o senador no centro do debate político.
O episódio se soma à repercussão da resposta dada por Flávio sobre a foto divulgada ao lado de Sicário. Em vez de encerrar a controvérsia, a explicação abriu espaço para novas interpretações e manteve o assunto na agenda política. A sequência de episódios reforça a dificuldade da campanha em retomar uma pauta positiva.
Na viagem aos Estados Unidos, Flávio buscou convencer autoridades americanas a reverem a proposta de sobretaxação dos produtos brasileiros. Durante a agenda, concentrou sua argumentação em temas como PIX, corrupção e decisões do Supremo Tribunal Federal relacionadas à liberdade de expressão, assuntos que também aparecem entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para embasar a investigação comercial que resultou na adoção das tarifas.
Além disso, o senador chegou a defender que uma eventual decisão sobre o tarifaço fosse adiada para depois das eleições presidenciais, argumentando que um novo governo poderia reabrir as negociações com Washington. O pedido, porém, não foi acolhido, e a tarifa foi confirmada para entrar em vigor ainda neste mês.
A estratégia também abriu espaço para críticas de adversários, que passaram a associar a iniciativa a uma tentativa de politizar um tema com forte impacto econômico. O foco da discussão acabou se deslocando das consequências da medida para exportadores e empresários brasileiros para a disputa eleitoral entre governo e oposição.
A repercussão ganhou novo capítulo quando o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a decisão teve motivação comercial baseada na investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), embora o tema tenha sido rapidamente incorporado ao debate político brasileiro.
O conjunto desses acontecimentos amplia os desafios da campanha de Flávio Bolsonaro. Desde a divulgação dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro, a pré-campanha enfrenta sucessivos episódios que dificultam a construção de uma agenda positiva e obrigam a equipe a atuar de forma reativa, mantendo o foco em crises em vez de propostas.