A eleição presidencial ocupa todas as atenções. É natural. Mas essa é apenas a corrida dos cem metros. Existe outra, bem mais longa, que pode definir a política brasileira na próxima década.
Tenho a impressão de que a família Bolsonaro parece compreender isso. Ganhar a Presidência importa, mas conservar o comando da direita talvez importe ainda mais.
Lideranças surgem, disputam espaço e ameaçam um capital político que, até aqui, esteve concentrado no sobrenome Bolsonaro. A verdadeira herança em jogo não é apenas eleitoral. É simbólica.
Há ainda uma segunda mudança, menos barulhenta. Desde o impeachment de Dilma Rousseff, o Congresso passou a ocupar um espaço que antes pertencia ao Executivo. As emendas parlamentares são apenas a face mais visível desse processo.
O presidente continua sendo a figura central da República, mas governa cada vez menos sozinho.
Tudo isso acontece enquanto a política se adapta à economia da atenção. As redes sociais premiam o impacto imediato, não o argumento; a performance, não a reflexão.
A política está em toda parte, mas a arte de governar parece cada vez mais distante do debate público.
Talvez a grande disputa de 2026 não seja apenas descobrir quem vencerá a eleição.
A pergunta mais importante é outra: quem sairá dela com força para comandar o país ou, principalmente, para comandar a narrativa política dos próximos anos? Isso costuma durar mais do que um mandato.