O Corinthians se prepara para as eleições do novo presidente que vai guiar o clube de 2027 a 2029 e do dirigente do Conselho Deliberativo para o mesmo período. Às vésperas do pleito que será realizado em novembro e vai definir o novo mandatário, o clube se articula para frear um problema crônico: a compra de votos.
A TMC teve acesso a um comunicado emitido na quinta-feira (16/07) e assinado pelo presidente do Conselho Deliberativo Romeu Tuma Júnior e o presidente do Conselho de Orientação (Cori) Miguel Marques, além de Osmar Stabile, atual mandatário da diretoria. Nele, o trio aponta preocupação com medidas para burlar o sistema eleitoral do clube e com “o abuso do poder econômico-financeiro”.
Por isso, o trio definiu que mensalidades em atraso não poderão ser pagas por terceiros, salvo se forem dependentes, ascendentes ou descendentes, justamente para “evitar qualquer possibilidade de ocorrência da nefasta prática conhecida como ‘compra de votos’“. Estes precisarão ir pessoalmente ao Parque São Jorge para resolver as pendências.
Também ficaram definidas algumas regras específicas para associados que estão devendo mensalidades:
- É proibido anistia financeira aos associados nos 12 meses que antecedem as eleições, ou seja, dívidas não poderão ser perdoadas e precisarão ser pagas;
- Associados que desejam votar ou ser votados precisam estar em dia com suas mensalidades até dois meses antes das eleições – isto é, até setembro;
- Dívidas com o clube não poderão ser parceladas a partir de três meses antes das eleições – isto é, a partir de agosto.
Associados que tiverem mais de três mensalidades atrasadas não poderão quitar o débito de imediato tampouco participar das eleições – seja como candidato ou votante. Será necessário enviar um requerimento à Comissão de Ética do Associado e ao Conselho Deliberativo.
Conselheiro propõe fim de eventos e brindes nas eleições
Nesta sexta-feira (17/07), Vinícius Cascone, conselheiro do Corinthians e ex-diretor jurídico da gestão Augusto Melo, enviou uma proposta para vedar distribuição de brindes e eventos de candidatos à presidência do clube e do Conselho Deliberativo.
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“Para impedir o abuso do poder econômico, solicito a aprovação do plenário do Conselho Deliberativo de um regulamento de condutas vedadas no processo eleitoral”, escreve Cascone no documento que a TMC teve acesso. Nesta proposta, o conselheiro sugere que não se possa:
- Produzir, utilizar ou distribuir camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes ou outros materiais “que possam proporcionar vantagem a eleitora ou eleitor”;
- Realizar festas e reunições com distribuição gratuita de alimentos e bebidas.
Além disso, o conselheiro também pede que, caso algum candidato infrinja as regras, tenha sua candidatura impugnada.
Histórico de compra de votos no Corinthians preocupa o Parque São Jorge
O Corinthians historicamente lida com problema de compras de voto seja por dinheiro ou por benefícios. Sem contar trocas políticas, com contratação de associados em troca de votos.
As eleições de 2018, por exemplo, ficou marcada pelo vazamento de um áudio do então secretário geral Antônio Rachid prometendo regularizar sócios inadimplentes em troca de votos ao candidato Paulo Garcia. Rachid atualmente exerce esta função na gestão Osmar Stabile.
Na época, Rachid confirmou a autoria do áudio e Paulo Garcia, que pagou inadimplentes e também acusou outros candidatos de fazerem o mesmo. Também disputando a presidência na época, Romeu Tuma Júnior também acusou outros concorrentes de compra de votos.
Ao fim daquela eleição, Andrés Sanchez foi eleito para seu segundo mandato como presidente do Corinthians – foi este período que culminou em sua expulsão do clube.
Com alguma frequência, também existem casos no Parque São Jorge em que mortos recebem possibilidade de votar. A última vez que isso ocorreu foi também nas eleições de 2018.