Moraes proíbe visitas político-eleitoral a Bolsonaro até o fim das Eleições 2026

Ministro do STF identificou participação de Bolsonaro na preparação de material para redes sociais do filho Flávio, pré-candidato à Presidência

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O ministro Alexandre de Moraes em sessão plenária do STF
(Foto: Luiz Silveira/STF)

Uma decisão do integrante do STF Alexandre de Moraes proibiu, nesta sexta-feira (17/07), visitas a Jair Bolsonaro com caráter político-eleitoral. A medida tem vigência até o encerramento das Eleições 2026. O mesmo despacho suspendeu, por 30 dias, as visitas em geral ao ex-presidente, ressalvados os atendimentos médicos, fisioterapêuticos e os realizados por advogados.

A medida decorre da perda de direitos políticos de Bolsonaro, resultado de sua condenação no processo da trama golpista. Moraes também suspendeu a divulgação de manifestos “políticos-eleitorais, inclusive por pode meio de terceiros, independentemente do meio utilizado”.

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Segundo o ministro, “Ficou expresso na decisão [que impõe as restrições a Bolsonaro] que tais procedimentos caracterizariam evidente burla à aplicação da medida cautelar e que não seria admitida a utilização de fraudes no descumprimento de ordem judicial.”

Carta e participação de Bolsonaro

Na decisão, Moraes identificou que Bolsonaro ajudou a preparar o que chamou de “material pré-fabricado” para ser publicado nas redes sociais de Flávio Bolsonaro, seu filho e advogado, que é pré-candidato à Presidência da República. Segundo o ministro, “Na presente hipótese, novamente, houve flagrante descumprimento da medida cautelar por Jair Messias Bolsonaro, com sua participação ativa na preparação do “material pré-fabricado” para posterior divulgação nas redes sociais de seu filho e pré-candidato a Presidência da República, Flávio Nantes Bolsonaro, conforme demonstram vários trechos da ‘Carta aos brasileiros’.”

A justificativa apresentada pela defesa de Bolsonaro para o episódio foi considerada por Moraes não “plausível, pois é absolutamente contraditória aos fatos”.

Restrições e consequências

Na mesma decisão, a divulgação de manifestos político-eleitorais por Bolsonaro foi igualmente suspensa por Moraes, abrangendo publicações feitas por intermediários e qualquer canal de comunicação utilizado para esse fim.

O ministro deixou claro que tanto Bolsonaro quanto Flávio não podem alegar desconhecimento das regras. Na decisão, Moraes escreveu: “Dessa maneira, nem o sentenciado Jair Messias Bolsonaro, nem seu filho e advogado Flávio Nantes Bolsonaro podem alegar desconhecimento da amplitude da medida cautelar aplicada e das consequências de seu descumprimento”.

Na prática, o descumprimento das novas restrições pode custar ao ex-presidente o benefício da prisão domiciliar. Segundo Moraes, caso Bolsonaro volte a violar as condições impostas, o benefício pode ser revogado.

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