Minas Gerais volta a ocupar posição central no cenário político nacional com o início das convenções partidárias para as eleições de 2026. Segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com cerca de 16,4 milhões de eleitores, o estado historicamente antecipa tendências e costuma refletir com grande precisão o resultado das eleições presidenciais.
A importância de Minas vai além do tamanho do eleitorado. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram no estado. O comportamento do eleitor mineiro também é considerado um dos mais representativos do país, resultado da diversidade regional. Enquanto o norte de Minas apresenta características semelhantes às do Nordeste, o sul do estado possui perfil eleitoral mais próximo ao do Sudeste.
Essa combinação faz de Minas um verdadeiro termômetro nacional. Nas eleições presidenciais de 2010, 2014 e 2018, o estado registrou a menor diferença entre o resultado local e o nacional. Em 2022, ficou na terceira colocação nesse indicador. Em 2014, por exemplo, Dilma Rousseff venceu com 51,6% dos votos no Brasil e obteve 52,4% em Minas Gerais, uma diferença de apenas 0,8 ponto percentual.

É nesse contexto que começam, nesta segunda-feira, as convenções partidárias em Minas Gerais. Quatro legendas realizam seus encontros em Belo Horizonte para oficializar candidaturas e definir estratégias para a disputa estadual. Solidariedade, PRD e Democracia Cristã promovem convenções pela manhã, enquanto a Unidade Popular realiza sua reunião no fim da tarde.
O calendário eleitoral prevê que todas as convenções sejam concluídas até 5 de agosto. Após essa etapa, os candidatos terão até 16 de agosto para registrar suas candidaturas na Justiça Eleitoral. A campanha começará oficialmente em 17 de agosto, quando passam a ser permitidas propagandas eleitorais, comícios e atos de campanha nas ruas e na internet.
Apesar do início do calendário oficial, o cenário para o governo mineiro segue aberto. O PSD deve confirmar a candidatura à reeleição de Matheus Simões, sucessor de Romeu Zema após a desincompatibilização do governador. O Republicanos ainda aguarda a definição do senador Cleitinho Azevedo sobre disputar ou não o governo estadual, enquanto o PL permanece sem anunciar seu candidato.
No campo da esquerda, o PT deve oficializar a candidatura do deputado federal Patrus Ananias. A decisão encerra meses de especulações sobre quem lideraria o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais.
Antes da definição por Patrus, o principal desejo do Palácio do Planalto era lançar o senador Rodrigo Pacheco ao governo estadual. Com a desistência do parlamentar, outros nomes passaram a ser considerados, entre eles Alexandre Kalil, Marília Campos, Alexandre Silveira e Reginaldo Lopes. Nenhum, porém, conseguiu reunir as condições políticas esperadas pelo governo federal.
A oficialização de Patrus também produz efeitos indiretos sobre a estratégia de Alexandre Kalil. Ex-prefeito de Belo Horizonte e filiado ao PDT, Kalil chegou a ser visto como a principal alternativa para liderar um palanque aliado ao presidente Lula em Minas. No entanto, preferiu não assumir esse papel e manteve distância da campanha presidencial.
Com um candidato oficialmente identificado com o PT na disputa, Kalil reduz a vinculação direta ao governo federal e amplia o espaço para construir uma candidatura de perfil mais centrista. A polarização no campo da esquerda tende a ficar concentrada em Patrus Ananias, permitindo ao ex-prefeito buscar um eleitorado menos ideológico e mais moderado.
Ao mesmo tempo, a disputa pelo eleitorado de direita deve permanecer concentrada entre Matheus Simões e Cleitinho Azevedo, caso o senador confirme sua candidatura. Esse cenário reforça a tendência de fragmentação da corrida eleitoral em Minas e amplia a importância das definições que ainda serão tomadas nas próximas semanas.
Pesquisas divulgadas nos últimos meses colocaram Alexandre Kalil entre os nomes mais competitivos após a saída de Rodrigo Pacheco. Patrus Ananias também aparece com desempenho relevante, alcançando cerca de 18% das intenções de voto em alguns levantamentos, o que o credencia como principal representante do campo governista.
Com o calendário eleitoral oficialmente em andamento e um dos cenários mais indefinidos do país, Minas Gerais volta a concentrar a atenção das campanhas nacionais. Afinal, em um estado que historicamente reproduz o comportamento do eleitor brasileiro, cada movimento das candidaturas pode antecipar tendências para a disputa presidencial de 2026.