O Dia Nacional do Biscoito é celebrado em 20 de julho. Criada pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), a data homenageia um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros. Mas, junto com a comemoração, volta à tona uma das discussões mais tradicionais do país: afinal, o correto é dizer biscoito ou bolacha?
Para a indústria, o nome oficial é “biscoito”. No entanto, os dois termos se referem ao mesmo alimento, e a preferência varia de acordo com a região. Mais do que uma questão de certo ou errado, a diferença revela a riqueza das variações linguísticas do português brasileiro.
Segundo o professor de Língua Portuguesa Matheus de Castro, pesquisador da história da língua portuguesa, não existe motivo para considerar um termo superior ao outro. Pelo contrário: a diversidade faz parte da evolução do idioma, e a insistência em desqualificar a forma de falar de outras regiões pode caracterizar preconceito linguístico.
“Biscoito e bolacha são palavras legítimas. A escolha depende da tradição linguística de cada região”, resume.
De onde vem a palavra “biscoito”?
A palavra biscoito é a mais antiga. Ela surgiu na Idade Média e tem origem no latim bis coctus, expressão que significa “cozido duas vezes”.
“Na Roma Antiga, o biscoito era assado duas vezes para perder água e durar mais tempo. Daí vem o nome: bis coctus, ou ‘cozido duas vezes'”, explica o professor.
Com uma massa simples de farinha, água e sal, o alimento era utilizado principalmente por soldados e viajantes por resistir por longos períodos sem estragar.
Com o passar dos séculos, a palavra se espalhou por diferentes idiomas derivados do latim até chegar ao português como “biscoito”.
E “bolacha”?
Já a palavra bolacha apareceu mais tarde. O primeiro registro em português é de 1543 e deriva de “bola”, com o sufixo “-acha”, utilizado para formar diminutivos ou palavras derivadas.
“Bolacha vem de ‘bola’, uma pequena bola de massa. Com o tempo, passou a designar o mesmo alimento que chamamos de biscoito”, afirma Matheus.
Segundo o professor, embora tenham origens diferentes, “biscoito” e “bolacha” passaram, ao longo do tempo, a designar o mesmo produto.
Muito além de biscoito e bolacha
Assim como acontece com “biscoito” e “bolacha”, outras palavras mudam conforme a região do país, como “joelho” e “italiano” para o mesmo salgado, ou “mandioca”, “macaxeira” e “aipim” para a mesma raiz.
Para Matheus de Castro Ramos Fialho, a discussão é apenas um exemplo das diferenças regionais presentes no português falado no Brasil.
“A riqueza da língua portuguesa está justamente nessas variações. Não existe motivo para tratar uma forma de falar como superior à outra”.




