35 anos antes da Argentina, Pistons deram as costas para Jordan e entraram para a história como maus perdedores

Atitude da Albiceleste durante a festa da Espanha relembra um dos episódios mais controversos da história da NBA, protagonizado pelos Bad Boys de Detroit

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Michael Jordan contra Isiah Thomas em Chicago Bulls x Detroit Pistons
(Foto: Divulgação/Chicago Bulls)

A decisão dos jogadores da Argentina de dar as costas à cerimônia de premiação da Espanha após a derrota por 1 a 0 na final da Copa do Mundo de 2026 reviveu um dos episódios mais emblemáticos de falta de espírito esportivo na história do esporte. Trinta e cinco anos antes, em 1991, o Detroit Pistons protagonizou cena semelhante ao abandonar a quadra antes mesmo do fim da partida contra Michael Jordan e o Chicago Bulls, recusando-se a cumprimentar os adversários após a eliminação nos playoffs da NBA.

Embora os contextos sejam diferentes, os dois episódios têm em comum a recusa em reconhecer publicamente a conquista do rival. Na final do Mundial, enquanto a Espanha erguia a taça, os jogadores argentinos permaneceram de costas para o pódio, voltados apenas para sua torcida, atitude que gerou críticas da imprensa internacional e foi interpretada como desrespeito aos campeões.

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A postura ocorreu logo após uma série de confusões no gramado. Jogadores argentinos, especialmente o volante Leandro Paredes, se envolveram em empurrões e agressões contra atletas espanhóis depois do apito final. A Fifa anunciou a abertura de uma investigação disciplinar sobre os incidentes.

O precedente na NBA

A cena remete diretamente ao que aconteceu em 27 de maio de 1991, quando o Detroit Pistons, conhecido como os “Bad Boys”, foi varrido pelo Chicago Bulls na final da Conferência Leste da NBA.

Com 7,9 segundos restantes e a derrota por 115 a 94 praticamente consumada, Isiah Thomas, Bill Laimbeer, Mark Aguirre e outros jogadores deixaram a quadra antes do cronômetro zerar, passando pelo banco do Bulls sem apertar as mãos de Michael Jordan, Scottie Pippen e dos demais adversários.

Na NBA, cumprimentar o vencedor após uma série de playoffs é um protocolo tradicional. A saída antecipada do Pistons foi vista como um gesto de desprezo semelhante ao que a Argentina demonstrou ao virar as costas para a cerimônia da Copa do Mundo.

Fim de uma era

O episódio marcou simbolicamente a troca de poder na liga. Os Pistons haviam conquistado os títulos das temporadas 1988-89 e 1989-90 com um estilo físico e intimidador, tornando-se conhecidos como os “Bad Boys”.

Sob o comando de Chuck Daly, a equipe construiu fama por utilizar uma defesa extremamente agressiva e pelas chamadas “Jordan Rules”, estratégia criada para limitar Michael Jordan com marcação dupla, contato físico intenso e faltas duras sempre que o astro tentava infiltrar no garrafão.

Depois de eliminar o Bulls por três temporadas consecutivas, Detroit acabou dominado por Jordan em 1991. A vitória por 4 a 0 na série marcou o início da dinastia do Chicago Bulls, que conquistaria o primeiro de seus seis títulos da NBA semanas depois.

Repercussão e consequências

Assim como ocorre agora com a Argentina, a atitude do Pistons foi amplamente condenada por jornalistas, torcedores e jogadores, tornando-se um dos episódios mais lembrados de antidesportividade na história da NBA.

O gesto também aprofundou a rivalidade entre Michael Jordan e Isiah Thomas, considerada uma das maiores da história do basquete. A relação, já desgastada por anos de confrontos físicos, nunca foi restabelecida.

Um dos desdobramentos mais conhecidos ocorreu em 1992. Isiah Thomas ficou fora do Dream Team dos Estados Unidos, apesar de ser um dos melhores armadores da época. A exclusão é frequentemente associada ao rompimento definitivo com Jordan e outros líderes da seleção americana.

Décadas depois, o episódio voltou aos holofotes no documentário “The Last Dance”, em que Michael Jordan reafirmou que nunca aceitou a decisão do Pistons de deixar a quadra sem cumprimentar os vencedores.

Leia mais: Brasileiros que estudam na Argentina são perseguidos e ameaçados de morte após festejarem vitória da Espanha

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