Antes de se tornar campeão mundial e um dos maiores símbolos da Argentina, Lionel Messi esteve próximo de seguir um caminho diferente com a camisa de uma seleção. Criado na Espanha desde os 13 anos, naturalizado espanhol e formado no Barcelona, o craque poderia ter defendido a equipe de La Roja. Uma pessoa, porém, ajudou a mudar o rumo dessa história ao revelar à Argentina o talento de um garoto que ainda era desconhecido em seu próprio país.
O personagem dessa história é Horacio Gaggioli, empresário esportivo argentino nascido em Rosario, mesma cidade onde Messi veio ao mundo. Foi ele quem levou uma gravação com lances do jovem atacante até pessoas ligadas à seleção argentina, ajudando a alertar a AFA sobre o potencial daquele adolescente que começava a chamar atenção na Espanha.
A trajetória que quase levou Messi a defender a Espanha começou ainda na adolescência. O atacante tinha como único vínculo com o futebol argentino o período nas categorias de base do Newell’s Old Boys, clube de Rosario onde permaneceu até 2000. Aos 13 anos, deixou o país natal para tentar uma oportunidade no Barcelona, iniciando uma relação que duraria mais de duas décadas.
No clube catalão, Messi cresceu rapidamente. O argentino passou por todas as categorias de formação, chegou ao Barcelona B e já era tratado como uma das principais promessas da equipe antes mesmo da estreia profissional. O primeiro jogo oficial pelo time principal aconteceria em outubro de 2004, contra o Espanyol.
Enquanto brilhava nas categorias de base espanholas, Messi também despertava interesse fora dos gramados. A possibilidade de obter a nacionalidade espanhola e defender a seleção europeia passou a ser considerada, algo que já havia acontecido com outro argentino histórico: Alfredo Di Stéfano.
A preocupação chegou à Argentina, que ainda não tinha uma relação consolidada com aquele jovem talento. Apesar de nascer em Rosario, Messi nunca havia defendido uma seleção de base do país e ainda não era visto pelo público argentino como o futuro ídolo que se tornaria anos depois.
A mudança começou com a gravação levada por Gaggioli à comissão técnica argentina. O material chegou às mãos de Carlos Vivas, auxiliar de Marcelo Bielsa na seleção, e apresentava um adolescente com características pouco comuns: velocidade, controle de bola, facilidade para driblar adversários e precisão nas finalizações.
Os lances chamaram a atenção de Bielsa. Segundo relatos da época, o treinador pediu para assistir novamente ao vídeo em velocidade normal, impressionado com a forma como Messi acelerava as jogadas em pequenos espaços e conseguia superar os marcadores.
A descoberta fez a Associação do Futebol Argentino acelerar o processo para garantir o vínculo do jogador com a Albiceleste. Em 29 de junho de 2004, a entidade organizou um amistoso da seleção Sub-20 contra o Paraguai, no estádio Diego Armando Maradona, em Buenos Aires.
A partida tinha um objetivo estratégico: impedir que Messi fosse atraído pela seleção espanhola. O atacante entrou no segundo tempo com a camisa 17 e marcou um dos gols da goleada por 8 a 0. A atuação confirmou oficialmente sua ligação com a Argentina.
Naquela época, a decisão era ainda mais importante por causa das regras da Fifa. Uma única partida oficial por uma seleção poderia impedir que um atleta mudasse de escolha no futuro. Atualmente, o regulamento é mais flexível e permite alterações em situações específicas, desde que determinados critérios sejam cumpridos.
No ano seguinte, Messi conquistou o Mundial Sub-20 pela Albiceleste e começou a construir uma história que terminaria com o título da Copa do Mundo de 2022. A escolha feita ainda na adolescência acabou definindo a trajetória internacional de um dos maiores jogadores de todos os tempos.
Empresário também levou a joia ao Barça
Gaggioli também esteve presente em outro momento fundamental da carreira do craque. Antes da disputa pela seleção, o empresário teve participação direta na aproximação de Messi com o Barcelona e no acordo inicial que ficou conhecido como o contrato da servilleta, o famoso guardanapo que simbolizou a aposta do clube catalão no garoto argentino.
O pedaço de papel representava uma aposta em um adolescente de 13 anos que ainda estava longe da fama mundial. Mais de 20 anos depois, aquele gesto se transformou em um dos capítulos mais conhecidos da história do futebol.
Horacio Gaggioli não marcou gols, não levantou troféus dentro de campo e não vestiu a camisa da seleção argentina. Mas teve participação em dois momentos que mudaram para sempre o destino de Lionel Messi: a chegada à Europa e a escolha que manteve o craque defendendo a Albiceleste.




