Coronéis da Polícia Militar de São Paulo aparecem em planilhas financeiras e registros de áudio apreendidos em uma operação contra operadores do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os documentos, analisados pelos investigadores, apontam que os suspeitos mantinham contatos com oficiais de alta patente para garantir trânsito, blindagem e apoios dentro da corporação.
As figuras centrais da investigação são o empresário Cleber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza. De acordo com documentos de Polícia Judiciária reunidos no inquérito policial, ambos mantinham vínculos com o alto escalão da PM que eram explorados para garantir benefícios institucionais ao grupo.
Coronéis citados nos registros
Três oficiais aparecem nos materiais apreendidos. O Coronel PM Pereira Martins, diretor de ensino da Polícia Militar, é apontado nos autos da investigação como alvo de uma solicitação de Cleber Azevedo. Em setembro de 2023, segundo relatórios de Polícia Judiciária, o empresário pediu a abertura de canais particulares com o coronel.
O Coronel PM José Augusto Coutinho, à frente das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do Comando de Policiamento de Choque, também aparece mencionado nos autos. Mensagens examinadas durante a investigação revelam interlocutores debatendo abertamente quão fácil era chegar a comandantes e diretores da PM.
Um terceiro oficial, identificado apenas como Coronel Patrício, aparece de forma recorrente nas planilhas de controle financeiro do grupo. Conforme os relatórios financeiros produzidos pela investigação, “Em uma planilha datada de dezembro de 2019, enviada por uma colaboradora identificada com o prenome ‘Ellen’ a Cléber Azevedo, há o registro explícito do pagamento de R$ 1.000,00 direcionado ao Coronel Patrício, demonstrando a injeção de recursos em espécie no esquema”.
“Ticketagem” e canal de influência
Segundo relatórios financeiros da investigação, os investigados utilizavam o termo “ticketagem” para designar os repasses de recursos ilícitos. Na avaliação dos investigadores, a proximidade com oficiais comandantes e os pagamentos identificados apontam para um canal estruturado de influência, conclusão que, no entanto, ainda é tratada como hipótese pelos responsáveis pelo inquérito.
A suspeita, segundo os investigadores, é que os nomes de oficiais nas planilhas de controle de despesas reforçam a possibilidade de que o grupo buscava atrapalhar fiscalizações e obter vantagens competitivas por meio de intermediários dentro da PM. Essa avaliação também é tratada como implícita nos documentos, não como fato confirmado.
Os PMs mencionados na operação não foram denunciados nem acusados formalmente, conforme o relatório da operação. Os alvos da ação desta terça foram os operadores do PCC, e não os oficiais referenciados nos registros. O G1 buscou manifestação da defesa do Coronel José Augusto Coutinho, sem retorno até a publicação.




