Uma semana após a operação do Ministério Público do Rio que investiga um suposto esquema de corrupção de mais de R$86 milhões no Instituto Rio Metrópole, a autarquia iniciou uma reestruturação administrativa.
As primeiras medidas incluem a exoneração de 30 ocupantes de cargos comissionados, a substituição de dois diretores, a nomeação de novos gestores e a suspensão do pagamento de todos os contratos em andamento até a conclusão de uma auditoria.
As mudanças começaram depois que o secretário estadual de Governo e do Gabinete de Segurança Institucional, Roberto Lisandro Leão, assumiu interinamente a presidência do instituto.
Também foi criado um grupo de trabalho, formado por representantes do Rio Metrópole e da Controladoria-Geral do Estado, que terá 30 dias para analisar os contratos em vigor. Entre os novos diretores está o urbanista Vicente Loureiro, que passa a responder pela Diretoria de Desenvolvimento Metropolitano Integrado.
A Operação Ouroboros, que ocorreu no dia 12 de julho, levou à denúncia de 11 pessoas por organização criminosa, corrupção passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, o grupo direcionava licitações para empresas previamente escolhidas e desviava parte dos recursos públicos por meio de contratos da autarquia. Entre os denunciados estava o ex-presidente do instituto na época, David Perini Vermelho, conhecido como Didê, preso durante a operação.
Criado em 2018 para planejar políticas públicas para a Região Metropolitana, o Instituto Rio Metrópole ganhou mais recursos após a concessão da Cedae e, em 2023, passou também a executar obras e intervenções urbanas.
De acordo com o Ministério Público, foi a partir dessa ampliação das atribuições e do aumento expressivo do orçamento que teriam ocorrido as irregularidades investigadas. Durante a gestão de Didê, o instituto movimentou cerca de R$480 milhões, e um dos contratos sob investigação soma R$ 57 milhões para obras de manutenção viária sem detalhamento dos locais de execução, segundo a denúncia.




