O preço da alimentação virou uma das principais preocupações do orçamento das famílias brasileiras. Seja no supermercado, seja na hora de escolher onde almoçar fora, o consumidor sente no bolso a alta dos custos e precisa fazer escolhas para equilibrar as contas do mês.
O tema foi destaque no episódio desta semana do Dinheiro TMC, que discutiu quanto custa se alimentar no Brasil e as diferenças entre preparar as refeições em casa ou consumir fora do lar.
Dados do Índice Prato Feito (IPF), desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio da ACSP, mostram que o preço médio nacional da refeição alcançou R$ 31,90 em junho de 2026. O valor representa uma alta de 7,2% na comparação com janeiro, mostrando como o almoço fora do lar passou a pesar mais no orçamento dos trabalhadores. Na prática, um trabalhador que almoça fora durante os 20 dias úteis do mês pode gastar cerca de R$ 638 apenas com essa refeição.
Para o economista e professor da FAC-SP, Rodrigo Simões, o aumento do custo da alimentação fora de casa tem levado muitos trabalhadores a buscar alternativas para preservar a renda.
“O aumento do número de pessoas que estão levando marmita para o trabalho tem crescido muito, porque o preço médio da refeição no dia a dia é maior do que o benefício médio oferecido pelas empresas, então isso tem corroído uma parte do orçamento do trabalhador e até mesmo da família.”
Além do almoço fora de casa, a ida ao supermercado também revela a mudança no padrão de consumo. Em São Paulo, a cesta básica acumulou alta de 4,77% no primeiro semestre de 2026, passando de R$ 1.285,92 para R$ 1.347,26, segundo levantamento do Procon-SP em parceria com o DIEESE.
Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão itens presentes no dia a dia das famílias, como batata, cebola e feijão. A batata, por exemplo, teve uma das maiores altas acumuladas no período, enquanto o feijão carioquinha também registrou aumento expressivo, influenciado por fatores como redução de área plantada e impactos climáticos.
Para a economista e professora da FGV, Carla Beni, o consumidor percebe essa mudança porque o nível geral dos preços dos alimentos se mantém mais elevado, mesmo quando alguns produtos apresentam queda.
“A gente tem essa sensação real de que, quando vai ao supermercado e faz as compras, sempre o preço sobe. Alguns itens caíram, outros subiram, mas, na média, acaba ficando essa percepção de que eu gastei muito e levei pouca coisa no supermercado.”
A especialista também destaca que fatores externos continuam influenciando a alimentação, principalmente em produtos perecíveis, como frutas, verduras e legumes.
Mas, afinal, é mais barato comer em casa ou fora? A resposta passa por diferentes fatores. Preparar a própria comida geralmente reduz custos, já que elimina despesas como serviço, aluguel comercial e mão de obra. Por outro lado, a refeição fora de casa envolve toda uma estrutura que também sofreu aumento de preços.
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Galassi, explica que a pressão atinge tanto quem compra para cozinhar quanto quem depende de restaurantes, mas ressalta a diferença entre os modelos de consumo.
“O custo para você produzir dentro da sua casa e se alimentar dentro do lar sempre será mais em conta do que no restaurante, porque o restaurante oferece outras questões, como a experiência e os serviços. Quando você leva para a sua casa, você mesmo prepara e faz toda a gestão dos custos do consumo das famílias.”
Com a alimentação ocupando uma fatia maior da renda, decisões como cozinhar mais vezes, levar marmita ou escolher opções mais econômicas passaram a fazer parte da rotina de muitos brasileiros. O desafio é encontrar equilíbrio entre preço, praticidade e qualidade em um cenário em que a comida continua sendo uma das maiores despesas do orçamento doméstico.
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