Isaac Sidney, que preside a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) desde março de 2020, obteve junto ao Banco Master, em 26 de novembro de 2020, um financiamento imobiliário no valor de R$ 5,5 milhões, de acordo com o jornal “Valor Econômico”. A operação foi firmada, portanto, já durante sua gestão à frente da entidade representativa do setor bancário, conforme documentação da Febraban.
O recurso foi destinado à aquisição de um imóvel em São Paulo — um apartamento duplex de 410 metros quadrados. Como garantia fiduciária, o bem ficou registrado em nome do banco até a liquidação total da dívida, de acordo com certidão cartorária.
Pelo contrato, havia um ano de carência antes do início do pagamento de principal e juros. Após esse intervalo, a liquidação ocorreria em 48 parcelas mensais, encerrando-se em 26 de novembro de 2025, conforme a documentação do financiamento.
Sidney, porém, quitou o débito antes do prazo. O pagamento foi registrado em 26 de dezembro de 2021, segundo o termo de quitação. Na mesma data, o crédito foi cedido à Cannes Consultoria Empresarial Ltda. O valor atualizado do crédito nessa cessão era de R$ 6,141 milhões, conforme listagem do liquidante do Banco Master à Justiça.
O cancelamento da alienação fiduciária, o ato que devolve formalmente o imóvel ao comprador, foi registrado em cartório em 20 de junho de 2022.
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Trajetória antes da Febraban
Antes de sua chegada à entidade, Sidney atuou como assessor jurídico de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, num período que se estendeu de novembro de 2018 a abril de 2019. O objetivo era obter aprovação do Banco Central do Brasil (BC) para que Vorcaro adquirisse o Banco Máxima — autorização que o BC concedeu em outubro de 2019, segundo o próprio regulador.
Ao término dessa assessoria, no fim de abril de 2019, Sidney cumpriu o período de quarentena previsto em lei e, em maio de 2019, assumiu o cargo de diretor de Relações Institucionais na Febraban, conforme registros da entidade. Ele havia se exonerado do BC anteriormente.
Em declaração ao “Valor Econômico”, Sidney afirmou que nenhuma tratativa ou atuação de sua parte sobre o caso ocorreu após seu ingresso na Febraban. Ele também negou qualquer envolvimento na negociação simulada de uma fazenda localizada em Guaxupé.
O nome de Sidney foi mencionado por Paulo Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, em depoimento prestado a uma sindicância interna do Banco Central. Souza tornou-se alvo, no início de 2026, de uma ação policial deflagrada por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).




