Bruno Rizzi
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Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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A estratégia de Kassab na campanha de Caiado e a busca pelo voto “Carcísio”

Candidatura do PSD foi oficializada e Kassab já mostrou que usará seu poder de influência para converter apoios estratégicos no interior paulista

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Ronaldo Caiado fala à imprensa momentos antes de convenção do PSD que lança sua candidatura à presidência (Foto: Júlia Takahashi)

A convenção nacional do PSD que oficializou a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência e de Gilberto Kassab à Vice-Presidência deixou claro que o principal ativo eleitoral da chapa pode não ser apenas o candidato ao Planalto, mas a capacidade de articulação política construída por Kassab ao longo das últimas décadas. O evento consolidou a entrada do partido na disputa presidencial, mas também evidenciou que a estratégia passa muito mais pela força da estrutura partidária do que pela tentativa de romper, de imediato, a polarização nacional.

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O primeiro desafio de Caiado será dentro do próprio campo da chamada terceira via. Antes de tentar alcançar Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas, precisará disputar espaço com outros candidatos que buscam ocupar esse eleitorado, como Romeu Zema e Renan Santos. Não por acaso, o discurso adotado na convenção concentrou críticas tanto ao PT quanto ao PL, reforçando a tentativa de apresentar uma alternativa à polarização.

A escolha de Kassab para compor a chapa amplia ainda mais seu protagonismo político. Além de presidente nacional do PSD, o dirigente passa a ocupar posição central na estratégia eleitoral da legenda, utilizando sua influência para fortalecer a candidatura de Caiado em estados considerados decisivos.

Em São Paulo, essa estratégia já começou a ganhar forma. O PSD, que reúne a maior quantidade de prefeituras do estado, pretende utilizar sua ampla capilaridade no interior paulista para estimular um voto casado entre Tarcísio de Freitas para o governo estadual e Ronaldo Caiado para a Presidência. Nos bastidores, a articulação já ganhou um apelido: o voto “Carcísio”.

A estratégia tem relação direta com a força municipal construída por Kassab ao longo dos últimos anos. A proximidade com prefeitos, consolidada durante sua passagem pela Secretaria de Governo de São Paulo, e a influência exercida sobre a distribuição de recursos e articulações políticas municipais tornam o interior paulista uma das principais apostas da campanha.

Ao mesmo tempo, a convenção também expôs as limitações dessa candidatura. O PSD decidiu liberar seus diretórios estaduais para apoiarem diferentes candidatos à Presidência, preservando alianças regionais consideradas estratégicas. Na prática, Caiado não contará com um partido inteiramente mobilizado em torno de seu projeto nacional.

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra permanecerá ao lado de Lula. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes também manterá apoio ao petista. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões continuará alinhado à candidatura de Romeu Zema. A decisão evidencia que, para o PSD, preservar o poder regional é prioridade tão importante quanto disputar o Palácio do Planalto.

Nem mesmo em São Paulo houve demonstração completa de unidade. Embora seja aliado histórico de Kassab, o governador Tarcísio de Freitas optou por não participar da convenção para evitar desgastes com Flávio Bolsonaro, candidato que apoia na disputa presidencial. A ausência revelou os limites da estratégia de aproximação construída pelo PSD.

Essa engenharia política reflete um cálculo eleitoral conduzido por Kassab muito mais do que um projeto exclusivamente presidencial de Caiado. O PSD aposta que o fortalecimento das bancadas no Congresso será decisivo para ampliar sua influência política nos próximos anos, garantindo mais acesso ao fundo partidário, ao fundo eleitoral e maior poder de negociação no cenário nacional.

A lógica é simples: em um sistema cada vez mais dependente das alianças estaduais, das emendas parlamentares e da força municipal, preservar relações locais pode ser mais vantajoso do que exigir fidelidade absoluta em torno de uma candidatura presidencial.

Ainda assim, a disputa nacional impõe obstáculos relevantes. Embora disponha de uma das maiores estruturas partidárias do país, o PSD contará com menos recursos do fundo eleitoral do que seus principais adversários. PL e PT seguem concentrando as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e, consequentemente, terão maior capacidade financeira para sustentar suas campanhas.

A convenção, portanto, mostrou que Caiado ganhou uma estrutura partidária robusta e um dos mais influentes articuladores da política brasileira ao seu lado. Mas também deixou claro que a principal campanha conduzida por Kassab talvez não seja apenas para eleger um presidente da República, e sim para ampliar o poder político do PSD independentemente de quem saia vencedor das urnas.

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