A participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL, realizada no último fim de semana, em São Paulo, ainda repercute nos bastidores da campanha de Flávio Bolsonaro. Entre aliados do agora candidato à Presidência da República, não há consenso sobre os impactos da presença do argentino.
A coluna ouviu dois aliados próximos da campanha, sob reserva, e encontrou avaliações opostas sobre o chamado “efeito Milei”.
Para um dos interlocutores, a estratégia foi acertada. A avaliação é de que a presença de um chefe de Estado estrangeiro reforçou politicamente a candidatura de Flávio e deu projeção internacional ao evento. Esse aliado também sustenta que integrantes do governo brasileiro acabaram “caindo na provocação” de Milei, o que teria ampliado a repercussão do discurso do argentino e colocado o Palácio do Planalto na defensiva nas redes sociais.
Já um segundo aliado faz uma leitura completamente diferente. Na avaliação dele, a participação de Milei teve impacto nulo, ou até negativo, para Flávio Bolsonaro. O argumento é que o presidente argentino enfrenta desgaste em seu próprio país e que o tom agressivo adotado durante o evento tende a afastar o eleitorado moderado e independente, considerado decisivo na disputa presidencial.
O diagnóstico leva em conta o cenário político na Argentina.
Polarização no país vizinho
Pesquisas recentes apontam aumento da rejeição de Milei. De acordo com pesquisa AtlasIntel divulgada em março, 59% dos argentinos desaprovam o governo.
Esse movimento também aparece nas pesquisas eleitorais. Levantamento da Consultora Delfos, instituto sediado em Córdoba e com tradição em estudos de opinião pública, divulgado em abril, colocou Milei atrás do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, na disputa (ainda distante) pela Casa Rosada. No cenário testado para a eleição presidencial, o peronista aparece com 40,4% das intenções de voto, contra 29,6% do atual presidente.