Pesquisadores usam camisinhas para “encapar” cigarras na Amazônia

Estudo revela que estruturas feitas de argila e urina ajudam insetos a respirar e se proteger

Por Redação TMC | Atualizado em
Pesquisadora em floresta à noite, usando luvas roxas e lanterna de cabeça, analisa algo no solo iluminado por luz artificial. Folhas secas e vegetação cercam o local da coleta.
Segundo pesquisadores, a iniciativa pode ajudar a compreender as estruturas de 40 cm usadas pelas cigarras para trocar gases com o ambiente, o que pode inspirar inovações tecnológicas ligadas a trocas gasosas e controle térmico (Foto: Divulgação/Instituto Serrapilheira)

Um grupo de pesquisadores brasileiros desvendou o mistério por trás das torres de argila construídas por cigarras na Amazônia. A espécie Guyalna chlorogena, conhecida como Cigarra-Ceramista, típica da região amazônica, ergue essas estruturas com uma mistura de argila e urina quando está prestes a sair do solo para a metamorfose.

Durante uma expedição na floresta, os cientistas perceberam que as torres, conhecidas pelos moradores locais, ainda não tinham uma explicação científica. Intrigados, decidiram testar duas hipóteses: as construções poderiam proteger as cigarras de predadores ou ajudar na respiração dos insetos dentro do solo.

Para verificar a teoria das trocas gasosas, os pesquisadores tiveram uma ideia curiosa: vedar as torres com camisinhas. Se houvesse passagem de gases, o preservativo inflaria. E foi exatamente o que aconteceu, confirmando a hipótese de que as torres permitem a entrada e saída de oxigênio e dióxido de carbono.

Inseto verde com asas transparentes e corpo rajado de marrom, a Cigarra-Ceramista é responsável pela criação das estruturas de 12 cm de fezes e urina que ajudam na troca de gases com o ambiente (Foto: Reprodução)

Os testes mostraram também que as torres funcionam como barreiras contra ataques de formigas e outros predadores, especialmente durante a fase de metamorfose, quando as cigarras estão vulneráveis. “Essas funções aumentam a chance de sobrevivência do inseto”, explicou o pesquisador Pedro Pequeno, do Instituto Serrapilheira e do INCT-SinBiAm, em entrevista para BBC News Brasil.

Durante o estudo, os cientistas encontraram uma torre com 47 centímetros, a maior já registrada no mundo. Estruturas desse tipo geralmente não passam de 12 centímetros em outras regiões.

Os resultados da pesquisa, feita por brasileiros na Floresta Amazônica, serão publicados em um artigo científico. Segundo Pequeno, compreender a estrutura e o funcionamento dessas torres pode inspirar inovações tecnológicas ligadas a trocas gasosas e controle térmico.

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