Brasil tem o 3º cigarro mais barato da América do Sul e número de fumantes cresce

Ministério da Fazenda estabelece novo valor neste domingo após 7 anos de política de reajustes interrompida, segundo dados da Organização Mundial da Saúde

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Julia Engel/Unsplash)

A partir desse domingo (19/04), o Ministério da Fazenda estabeleceu R$ 7,50 como o preço mínimo do cigarro no Brasil. O reajuste de R$ 1 visa compensar a redução de impostos sobre combustíveis, decorrente dos impactos da guerra no Oriente Médio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cujos dados de 2024 foram publicados em relatório de 2025, o Brasil mantém o terceiro menor preço do produto na América do Sul, posição que permanece inalterada mesmo com o novo aumento.

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Pela primeira vez em 20 anos, o Brasil registrou um crescimento de 25% no número de fumantes, passando de 9,3% da população em 2023 para 11,6% em 2024. O Ministério da Saúde aponta que o tabagismo causa 177 mil mortes anuais no país e que 2 em cada 3 consumidores de produtos de tabaco morrerão devido ao vício.

O uso de cigarros eletrônicos, embora ilegal no país, tem substituído a iniciação para o cigarro comum entre os jovens, impulsionado pela dependência de nicotina e pelo menor custo do cigarro tradicional. Casos graves de EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos) têm sido registrados em adolescentes. Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (Inca) calculam que a manutenção da efetividade das medidas antitabagismo até 2015 teria evitado a morte de 8,5 milhões de pessoas.

Qual a política de preços do cigarro no Brasil?

Entre a década de 1990 e 2015, o Brasil adotou uma política de reajustes anuais do preço mínimo do cigarro acima da inflação, período em que a proporção de fumantes caiu de mais de 30% para cerca de 9% da população. Essa estratégia foi interrompida entre 2017 e 2023, mantendo o valor congelado em R$ 5, até ser modificado para R$ 6,50 em 2024.

Análises de especialistas indicam que o preço mínimo estaria em torno de R$ 10 caso a política de aumentos anuais tivesse sido mantida. A estagnação dos preços por quase uma década é apontada como um dos principais fatores para o recente aumento do tabagismo no país.

O custo direto e indireto do tabagismo no Brasil chega a R$ 153 bilhões. O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta R$ 98 bilhões anualmente com doenças relacionadas ao fumo. A arrecadação de impostos da indústria do tabaco cobre apenas 5% das despesas em saúde. Na prática, para cada R$ 1 arrecadado, o governo despende R$ 5 em tratamentos e na cobertura de perdas de produtividade decorrentes de incapacidade ou morte prematura.

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