A quebra de sigilo de um celular pertencente ao ex-vereador Jairinho (Jairo Souza Santos Júnior) foi autorizada pela Justiça do Rio. O dispositivo estava escondido entre livros na cela ocupada por ele no presídio Pedrolino Werling, dentro do Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio, e foi descoberto nesta quarta-feira (01/07) durante uma varredura realizada no local, de acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seppen).
Condenado em junho pela Justiça do Rio, Jairinho cumpre pena de 43 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e tortura praticados contra Henry Borel.
A magistrada Elizabeth Machado Louro deferiu a medida após solicitação do promotor Fábio Vieira dos Santos. Em sua decisão, ela declarou: “Defiro o pedido de quebra de sigilo dos dados constantes do aparelho apreendido no interior da cela do réu Jairo”.
O promotor Fábio Vieira dos Santos apontou como principal motivação do pedido a suspeita de que Jairinho estaria tentando influenciar testemunhas. O promotor acrescentou ainda que o conteúdo extraído do aparelho pode ser útil em investigações relacionadas a outros crimes dos quais Jairinho é acusado — ressaltando tratar-se de uma possibilidade, não de uma certeza.
O celular será encaminhado à Divisão Especial de Inteligência Cibernética do Ministério Público, que o retirará da 34ª DP (Bangu).
Busca, isolamento e processo disciplinar
A operação de varredura na cela foi desencadeada por informações de inteligência da Corregedoria da Seppen dando conta de que Jairinho estaria na posse de um telefone. A Corregedoria-Geral da Seppen abrirá procedimento disciplinar para investigar o episódio, abrangendo tanto a conduta do preso quanto a dos servidores da unidade. Além disso, a Seppen informou que Jairinho será submetido a regime de isolamento.
Em nota, a Seppen afirmou: “A instituição reforça que mantém fiscalização constante nas unidades prisionais, atuando para impedir a entrada e circulação de itens proibidos, e garantir a segurança no sistema prisional fluminense”.
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Reação do pai de Henry Borel e posição da defesa
Leniel Borel, vereador e pai de Henry Borel, que atua como assistente de acusação no caso, cobrou investigação completa. “Agora precisa ser investigado até o fim: quem colocou esse aparelho lá, há quanto tempo estava sendo usado, quais mensagens foram trocadas, com quem ele falava e se houve tentativa de articulação, intimidação ou interferência em processos”, declarou. Ele também afirmou: “Celular na cela de um condenado por crimes tão graves não é detalhe: é privilégio, falha e risco”.
Já a defesa de Jairinho, representada pelo advogado Rodrigo Faucz, informou que ainda não havia sido intimada sobre a decisão de quebra de sigilo. “Quando formos intimados, poderemos nos manifestar”, disse Faucz.




