Julgamento pela morte de Henry Borel termina primeiro dia sem ouvir testemunhas

Ministério Público criticou estratégia da defesa e pediu transferência de Jairinho para Bangu 1

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O ex-vereador Dr. Jairinho e advogados de defesa durante Tribunal do Júri, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no centro da capital fluminense
(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O julgamento do caso Henry Borel foi interrompido na tarde desta segunda-feira (25/05) e será retomado às 9h desta terça-feira (26/05), no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Rio de Janeiro. A sessão é presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro.

A interrupção ocorreu por volta das 17h, sem que nenhuma das testemunhas previstas fosse ouvida. Para esta terça-feira, estão previstos os depoimentos do delegado Henrique Damasceno, da delegada Ana Carolina Medeiros e do perito criminal Luiz Carlos Prestes.

Segundo o promotor Fábio Vieira, a expectativa é de que o julgamento dure entre sete e dez dias.

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O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e a professora Monique Medeiros respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual pela morte do menino Henry Borel, ocorrida em março de 2021. Monique era mãe de Henry, e Jairinho, o padrasto.

No início da sessão, Jairinho pediu o adiamento do júri ao alegar que seu principal advogado, Fabiano Lopes, sofreu um infarto recentemente e não teria condições de atuar no julgamento. O réu afirmou que não teve tempo suficiente para alinhar estratégias com os demais integrantes da defesa.

O Ministério Público reagiu ao pedido e classificou a iniciativa como uma tentativa de evitar o julgamento. Durante a sessão, a acusação chegou a pedir a transferência de Jairinho de Bangu 8 para Bangu 1, unidade destinada a presos considerados de maior periculosidade.

Após o posicionamento do MP, Jairinho voltou atrás na decisão de destituir sua equipe de defesa, e o julgamento teve continuidade. O advogado Rodrigo Faucz Pereira e Silva negou qualquer intenção de protelar o processo e afirmou que a defesa busca apenas “um julgamento justo”.

Na parte da tarde, os advogados de Jairinho apresentaram uma série de pedidos para anular parcial ou integralmente o júri. A juíza negou os requerimentos, entendendo que muitas das alegações já haviam sido analisadas anteriormente pela Justiça ou apresentadas fora do momento processual adequado.

Também foi definido o Conselho de Sentença, formado por cinco homens e duas mulheres.

De acordo com o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), Henry sofreu 23 lesões e morreu em decorrência de hemorragia interna causada por ação contundente, o que descartou a versão inicial de acidente doméstico apresentada pelos réus.

As investigações da Polícia Civil apontaram que o menino era submetido a uma rotina de agressões e torturas atribuídas a Jairinho. Segundo o inquérito, Monique Medeiros tinha conhecimento das violências e teria sido alertada pela babá da criança semanas antes da morte.

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