Justiça determina internação de adolescente de 17 anos por estupro coletivo no Rio

Menor acusado de planejar emboscada contra ex-namorada em Copacabana cumprirá medida por até 3 anos sem atividades externas

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Divulgação/ PCERJ)

A Justiça do Rio de Janeiro determinou a internação de um adolescente de 17 anos acusado de participar de um estupro coletivo contra uma jovem da mesma idade. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (17). O crime ocorreu em 31 de janeiro em um apartamento localizado em Copacabana, zona sul da capital fluminense.

A juíza Vanessa Cavalieri estabeleceu que o menor cumprirá medida de internação sem possibilidade de atividades externas. O período inicial é de seis meses, renovável por até três anos. O adolescente é acusado de ter cometido o crime ao lado de quatro homens adultos. A vítima era ex-namorada do menor.

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Os quatro adultos investigados são Vitor Hugo Simonin, Bruno Felipe dos Santos Alegretti, Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho. Todos estão presos. O crime teria durado aproximadamente uma hora.

Planejamento e emboscada

A magistrada identificou “falha da rede familiar em prover limites adequados” ao adolescente. A decisão considerou que o menor planejou uma emboscada contra a vítima.

O Tribunal de Justiça informou que “Um dos pontos centrais da sentença foi a valorização do depoimento da vítima. A juíza ressaltou que, em crimes de natureza sexual, que geralmente ocorrem de forma clandestina e sem a presença de testemunhas, a palavra da vítima tem especial relevância e credibilidade. No caso em questão, o relato da jovem foi considerado coerente, detalhado e corroborado por exames de corpo de delito que comprovaram agressões físicas, como socos e chutes desferidos pelo grupo, inclusive pelo próprio adolescente”.

Exames de corpo de delito confirmaram vestígios de conjunção carnal recente, atos libidinosos e violência. O delegado titular da 12ª DP, Ângelo Lages, informou que foram encontradas lesões nas regiões genital, glútea e dorsal. Há suspeita de fratura em uma costela.

Reconstituição do crime

O ex-namorado entrou em contato com a adolescente por WhatsApp. Ele perguntou se ela estava em Copacabana e a chamou para um encontro. Às 19h24, os quatro suspeitos adultos chegaram ao apartamento onde o crime seria cometido. Um minuto depois, a vítima e o ex-namorado chegaram ao local.

No elevador, o adolescente informou que amigos estavam no apartamento. Ele disse que gostaria de fazer algo diferente. A vítima afirmou ter recusado a ideia. No quarto, ela e o ex-namorado iniciaram uma relação consensual.

Os outros rapazes entraram no quarto e tiraram a roupa. O ex-namorado pediu que ela permitisse que eles continuassem no local. A vítima teria consentido inicialmente.

Os rapazes passaram a tocá-la e a beijá-la à força. A vítima afirma que tentou sair do quarto. Ela foi impedida e forçada a praticar sexo com todos. Ao resistir, recebeu socos e tapas. O ex-namorado a chutou no abdômen.

Às 20h25, o ex-namorado saiu do apartamento com a vítima. Ele retornou sozinho. Ao sair, a adolescente disse que um dos jovens pediu a ela que levasse uma amiga da próxima vez. Às 20h42, os cinco jovens deixaram o apartamento.

A adolescente voltou para casa e contou o ocorrido à família. Ela foi levada à delegacia cerca de uma hora depois. Policiais foram ao apartamento. O local estava vazio porque os rapazes já haviam saído.

Indiciamento e defesas

Os quatro acusados foram indiciados por estupro coletivo qualificado, porque a vítima é menor de idade, e cárcere privado.

O advogado da vítima, Rodrigo Mondego, afirmou em suas redes sociais que “a luta continua até que todos sejam responsabilizados”.

Na ocasião da prisão, a defesa de Vitor Hugo, representada pelo advogado Ângelo Máximo, disse que ele afirma ser inocente e nega ter participado do suposto estupro, apesar de estar no local. A defesa de João Gabriel, representada pelo advogado Rafael de Piro, também negou participação do acusado.

Os advogados que representam Matheus e Bruno não foram localizados pela reportagem. O nome do menor é mantido em sigilo. A reportagem não conseguiu descobrir quem faz a defesa do adolescente.

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