Seis estações da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo foram abertas em julho de 2026. As outras nove têm conclusão programada para outubro de 2027. O projeto, anunciado em 2008 por R$ 6 bilhões, deve ser entregue por R$ 19 bilhões, três vezes o valor original.
A diferença não veio do nada. Ao longo de quase duas décadas, a obra acumulou escândalos de corrupção, um entrave geológico milionário e até a descoberta de um sítio arqueológico.
Da Lava Jato ao canteiro abandonado
O contrato original foi assinado em 2013, com previsão de entrega do primeiro trecho em 2018. Não aconteceu. As construtoras Odebrecht e Queiroz Galvão foram responsabilizadas pela Operação Lava Jato por pagamento sistemático de vantagens indevidas e fraudes em licitações. O esquema investigado teria movimentado R$ 10 bilhões. As empresas abandonaram a obra.
A Acciona assinou novo contrato em 2020, com prazo até outubro de 2025. Também não cumpriu. Desta vez, o motivo foi o solo.
O problema embaixo da Higienópolis
Sem a mudança na tecnologia de escavação, o atraso seria de mais de mil dias, o que empurraria a inauguração para 2028. O ajuste gerou um gasto extra de R$ 3,6 bilhões. Quando a Acciona assumiu, o projeto custava cerca de R$ 15 bilhões.
A Artesp afirma que, sem a medida de mitigação adotada, o desembolso teria chegado a R$ 4,4 bilhões.
Vale lembrar: uma reportagem do Estadão publicada em 2015 já alertava que a Higienópolis-Mackenzie seria o ponto mais crítico da obra.
Estações mais profundas do país
Para driblar o relevo acidentado da capital, com desnível de aproximadamente 105 metros entre o ponto mais alto, no Pátio Morro Grande, e o mais baixo, a Linha 6 foi construída bem abaixo do nível da rua. Sete estações estarão enterradas a no mínimo 45 metros de profundidade.
A Estação Água Branca ficará a 47,8 metros. Já a Estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado, prevista para abrir em outubro de 2027 na zona norte, estará a 65,7 metros, bem abaixo do antigo recorde paulistano, que pertencia à Estação Santa Cruz da Linha 5-Lilás, a 41,3 metros. A Estação Paulista da Linha 4-Amarela, para comparar, tem 35,4 metros. A Linha 1-Azul, construída na década de 1960, é bem mais rasa.
O túnel da Linha 6 passa a quase 12 metros do Rio Tietê em determinado trecho.
Sítio arqueológico e obras noturnas
Outro complicador surgiu em 2022: a descoberta de um sítio arqueológico paralisou as obras da Estação 14 Bis-Saracura. Os trabalhos foram retomados em 2026, mas o governo cogita deixar essa estação para depois da abertura das demais.
Para compensar os atrasos, a Acciona passou a estender os trabalhos nos canteiros pela madrugada desde outubro de 2025. Em nota, a empresa afirmou que “as definições são amparadas técnica e juridicamente, seguindo estritamente o contrato estabelecido entre as partes” e que “durante a noite, são priorizadas atividades que causem o menor impacto possível à vizinhança”.
O que vem por aí
Das 15 estações previstas, as seis primeiras, de João Paulo I a Perdizes, já estão abertas desde julho de 2026. Oito estações entre Brasilândia e Perdizes foram liberadas para abrir até outubro de 2026. As sete restantes, incluindo a Higienópolis-Mackenzie, ficam para outubro de 2027.
Quando estiver completa, a Linha 6 vai de Brasilândia a São Joaquim. O trajeto passa perto de universidades como Mackenzie, Unip, Faap e PUC-SP, daí o apelido de Linha das Universidades.




