Motoristas e entregadores por aplicativo realizaram, nesta terça-feira, manifestações em São Paulo e em outras cidades do país contra o Projeto de Lei Complementar 152 (PLP 152). O ato na capital paulista começou por volta das 10h, na Praça Charles Miller, na região do Pacaembu.
Os trabalhadores afirmam que são contrários à proposta, principalmente por causa da divisão dos valores das corridas com as plataformas. Segundo relatos ouvidos pela reportagem, os motoristas recebem uma fatia menor do valor pago pelos passageiros.
“Tem corrida que o cliente paga R$ 150 e a gente recebe cerca de 40%. O restante fica com a plataforma”, disse um dos manifestantes.
Outro ponto de insatisfação é a defasagem dos valores pagos pelas corridas em relação ao aumento dos custos. Os trabalhadores destacam que despesas como combustível, manutenção e pneus subiram nos últimos anos, enquanto o valor das corridas segue praticamente o mesmo.
“A gasolina só aumenta, o custo do carro aumenta, mas o valor das corridas não acompanha. Tem corrida de R$ 5 que não paga nem o deslocamento até o passageiro”, afirmou outro motorista.
O texto do PLP 152 prevê a manutenção do modelo de trabalho autônomo, sem vínculo pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta também estabelece um valor mínimo de R$ 8,50 por corrida, além de permitir que até 30% do valor seja repassado às plataformas.
Já os trabalhadores defendem um piso maior, de R$ 10 por corrida, e que a participação das empresas seja limitada a 25% do valor total.
A votação do projeto estava prevista para esta terça-feira na Câmara dos Deputados, mas acabou sendo cancelada.




