A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a PEC aprovada pela Câmara dos Deputados que reduz a jornada de trabalho e impacta a escala 6×1. Em posicionamento divulgado nesta quarta-feira (28/05), a entidade classificou a proposta como “inadequada e inoportuna” e defendeu que o debate seja feito com mais equilíbrio, responsabilidade e base técnica, longe da pressão de um ano eleitoral.
Segundo a CNI, mudanças desse porte exigem discussão ampla entre trabalhadores, empregadores e poder público, devido aos possíveis impactos sobre emprego, custos e a economia brasileira.
A entidade argumenta que uma eventual redução da jornada por imposição legal, sem transição adequada e sem aumento equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços. Uma projeção da própria confederação aponta impactos entre 6% e 9% em diferentes setores da economia, incluindo alimentos, serviços e vestuário.
A CNI também defendeu a negociação coletiva como o mecanismo mais adequado para definir soluções equilibradas em cada atividade econômica. Para a instituição, mudanças legais uniformes podem comprometer a segurança jurídica, reduzir a previsibilidade para investimentos e afetar principalmente micro e pequenas empresas.
No posicionamento, a entidade ainda afirmou que qualquer mudança na jornada de trabalho deveria ser acompanhada de medidas voltadas ao aumento da produtividade, com investimentos em tecnologia, inovação, qualificação profissional e modernização das relações de trabalho.
Por fim, a confederação destacou que trabalhadores e setor produtivo “não estão em lados opostos” e disse confiar que o Senado analisará o tema com “cuidado e responsabilidade”.




