“Não há dados suficientes para estabelecer causalidade”, diz Padilha sobre mortes após vacina da dengue

Ministro da Saúde afirma que investigações não apontam relação entre imunizante do Butantan e dois óbitos registrados após a vacinação; campanha foi suspensa temporariamente por precaução

Por Redação TMC | Atualizado em
Alexandre Padilha fala ao microfone
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (08/06) que não há evidências suficientes para relacionar a vacina contra a dengue do Instituto Butantan aos casos graves registrados após a imunização, incluindo dois óbitos. Apesar disso, o governo federal decidiu suspender temporariamente a campanha de vacinação como medida de precaução enquanto as investigações são aprofundadas.

Temos três casos graves que demandaram internação em UTI e, desses três, dois resultaram em óbito. Até este momento, com base nas investigações já realizadas pelos sistemas municipais e estaduais de vigilância, ouvindo especialistas e analisando os dados disponíveis, não há informações suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e a ocorrência desses casos graves”, declarou Padilha.

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A suspensão da vacinação vale para profissionais da Atenção Primária à Saúde e para campanhas em municípios e regiões específicas. Segundo o ministro, a decisão foi tomada após a identificação de um sinal de alerta pelos sistemas de vigilância epidemiológica.

Não existem dados suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre a vacina e esses casos. Ainda assim, trata-se de um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, reforçou.

Casos seguem sob investigação

De acordo com o Ministério da Saúde, os três casos considerados graves ocorreram após a aplicação da vacina.

Uma mulher de 39 anos apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a dose. O quadro evoluiu para dengue grave com choque, exigindo internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas ela recebeu alta posteriormente.

Já uma mulher de 48 anos desenvolveu dengue grave associada a meningoencefalite 19 dias depois da vacinação e morreu. O terceiro caso envolve um homem de 58 anos, que apresentou febre cinco dias após a aplicação do imunizante e evoluiu para dengue grave com choque refratário, também vindo a óbito.

Cerca de 500 mil pessoas receberam a vacina

Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 mil pessoas foram vacinadas até o momento. Nesse universo, foram registrados 42 eventos adversos severos, o que representa uma taxa de cerca de oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas.

Apesar da suspensão temporária, Padilha destacou que os estudos realizados até agora continuam indicando que o imunizante oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.

Monitoramento será ampliado

A partir desta terça-feira (09/06), o Ministério da Saúde ampliará o monitoramento de possíveis eventos adversos relacionados à vacina. A orientação é para que pessoas imunizadas há até 21 dias fiquem atentas ao surgimento de sintomas e procurem atendimento médico caso apresentem sinais compatíveis com dengue ou outras reações graves.

“Não há informações suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os casos graves”, reiterou o ministro ao comentar o andamento das investigações.

Leia mais: O que fazer se você tomou a vacina da dengue do Butantan suspensa pelo Ministério da Saúde

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